BCP pretende cortar até 10% nos salários para "evitar despedimentos"

O presidente do BCP disse esta segunda-feira que o banco está a negociar com os sindicatos reduções salariais entre 5% a 10%. O objectivo, segundo Nuno Amado, é evitar uma maior saída de trabalhadores e o recurso ao despedimento colectivo.

Os sindicatos da banca e o BCP estão há algumas semanas a negociar uma redução dos salários até 2017. Nessa altura, o banco banco deverá ter recomprado todo o capital que o Estado injectou, para que se evite a redução de mais de 1.200 trabalhadores - esta medida foi acordada com a Comissão Europeia, devido ao facto de o Estado português ter injectado no BCP, em 2012, três mil milhões de euros para recapitalização.

Nuno Amado não quis adiantar pormenores sobre a redução salarial proposta, mas avançou que "o número andará entre 5% e 10%", sublinhando que este corte será "temporário", ou seja, durará "enquanto o banco tiver o apoio público". 

Já sobre quantos postos de trabalho serão mantidos caso a redução salarial avance, o presidente do BCP voltou a refugiar-se no facto de as negociações ainda decorrerem, mas disse que "a diferença entre um cenário e outro são 400 a 500 postos de trabalho". 

O presidente do BCP disse ainda que espera que, até final deste mês, haja pelo menos "um princípio de acordo". "Não havendo acordo, há o acordo que temos com a Direcção-Geral da Concorrência, que implica um conjunto de rescisões unilaterais, já que o banco tem de cumprir com os compromissos subjacentes", afirmou Nuno Amado. 

O BCP tinha 8.703 trabalhadores em Portugal no final de Setembro, cerca de menos 150 do que no fim do ano passado. Em 2012, o banco já tinha levado a cabo um amplo programa de corte de postos de trabalho, com mais de 900 trabalhadores a saírem, a maior parte através de rescisões amigáveis. 

Em Setembro, depois de acordar o plano de reestruturação com a Comissão Europeia, o BCP apresentou aos sindicatos as linhas-mestras desse plano. Na altura, o secretário-geral da Federação do Sector Financeiro explicou à Lusa que uma das exigências era a dispensa de pessoal. "Fala-se em mais de 1.200 trabalhadores. Com o ajustamento salarial temporário, o número de dispensados seria consideravelmente reduzido para 400", afirmou então o dirigente sindical. 

Prejuízos de 600 milhões
O Banco Comercial Português registou um resultado líquido negativo de 597 milhões de euros nos primeiros nove meses de 2013, valor que compara com o prejuízo de 796 milhões de euros em igual período de 2012. 

"É um resultado claramente negativo, mas melhor do que no ano anterior, já que houve uma redução próxima de 200 milhões de euros no prejuízo", salientou o presidente do BCP, Nuno Amado, durante a conferência de imprensa de apresentação de resultados, em Lisboa. 

Segundo o banco, este prejuízo está em linha com o plano estratégico definido e com a evolução macroeconómica.

fonte:http://rr.sapo.pt/i

publicado por adm às 22:47 | comentar | favorito
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