Quase 8 mil queixas contra os bancos

O Banco de Portugal recebeu, nos primeiros seis meses deste ano, 7.875 reclamações de clientes bancários, numa média de 1.313 reclamações por mês, o que representa um aumento de 7% face à média mensal de 2011, revela a síntese intercalar de supervisão comportamental do banco central, divulgado esta quinta-feira.

Neste período, o número de reclamações remetidas diretamente ao Banco de Portugal (BDP) aumentou 13%, enquanto o número de reclamações apresentadas através do Livro de Reclamações das instituições de crédito aumentou 2%.

«As matérias mais reclamadas dizem respeito a contas de depósito, crédito aos consumidores e crédito à habitação, que representam, em conjunto, cerca de 67% das reclamações recebidas».

Consumidores tinham razão em 56% dos casos

Em cerca de 44% dos processos de reclamação encerrados no 1º semestre, o BdP não encontrou indícios de infração por parte das instituições de crédito mas nos restantes 56% sim. Nesses casos, quando o banco não resolveu a situação por iniciativa própria, o regulador emitiu advertências e/ou determinações específicas. Só no primeiro semestre, o BdP emitiu 536 recomendações e determinações específicas para correção de irregularidades detetadas.

O crédito à habitação foi o segmento em que o BdP mais teve de intervir (104 determinações), seguido dos depósitos bancários (102) e dos preçários (101). Nos serviços de pagamento foram 96 os casos, no crédito ao consumidor e outros créditos houve 71 determinações e em matéria de publicidade 51. Sobre os livros de reclamações, o BdP também teve de agir em 11 casos. No total, foram 536 intervenções

O Banco de Portugal instaurou, no domínio da supervisão comportamental, 16 processos de contraordenação: 10 processos por incumprimento de preceitos imperativos que regem a atividade das instituições de crédito; 4 processos por incumprimento de preceitos imperativos relativos à prestação de serviços de pagamento; 2 processos por incumprimento de deveres relativos ao Livro de Reclamações.

Publicidade, preçários e depósitos escrutinados

No período, o regulador analisou 2.368 campanhas de publicidade de 56 instituições, sendo que a publicidade a produtos de crédito aos consumidores correspondeu a 59% das campanhas analisadas. O Banco de Portugal exigiu a alteração de 51 campanhas de 23 instituições. Os incumprimentos detetados com maior frequência foram: dissimulação ou omissão de informação necessária para avaliar as características dos produtos, nomeadamente das condições de acesso ou restrições às referidas características e não indicação da TAEG com destaque similar ao das características destacadas na publicidade a crédito aos consumidores.

No que toca a preçários, foram realizadas 776 ações de inspeção aos preçários de 118 entidades. Ao longo do primeiro semestre de 2012, o Banco de Portugal exigiu em 149 casos a correção de irregularidades nos preçários de 57 instituições, antes da sua publicação no Portal do Cliente Bancário.

Foram também submetidos ao Banco de Portugal 32 prospetos informativos de depósitos indexados e duais (25 de depósitos indexados e 7 de depósitos duais). Todos os prospetos verificados foram alterados por exigência do Banco de Portugal, para corrigir, clarificar ou completar a informação disponibilizada.

O Portal do Cliente Bancário registou, no 1º semestre de 2012, uma média de 6.269 visitas por dia, mantendo-se a trajetória de crescimento gradual. Entre janeiro e junho de 2012, o Banco de Portugal recebeu 1.381 pedidos de informação de clientes bancários através do Portal do Cliente Bancário e por outros meios (média de 230 pedidos por mês). A maioria dos pedidos incidiu sobre questões relativas a responsabilidades de crédito e aquisição de produtos e serviços bancários, com destaque para os depósitos bancários, crédito à habitação e os serviços de pagamento.

fonte:http://www.agenciafinanceira.iol.pt/

publicado por adm às 22:05 | favorito