Bancos vão ter muitas dificuldades em gerar lucros

Deterioração da qualidade do crédito provocada pela crise explica este cenário, segundo o Banco de Portugal

Os bancos portugueses enfrentam grandes desafios nos próximos tempos e o maior prende-se com a rendibilidade. A banca vai ter dificuldades em conseguir gerar lucros nos tempos mais próximos, devido à deterioração da qualidade do crédito provocada pela crise, anteviu esta terça-feira o vice-governador do Banco de Portugal (BdP).

«A rentabilidade constitui o grande desafio para os próximos tempos» para o sistema bancário português, sublinhou Pedro Duarte Neves, citado pela Lusa, na sua intervenção no X Fórum Banca, promovido em Lisboa pelo «Diário Económico», com o apoio da Accenture e da Schroders.

«É preciso termos consciência que as atuais condições são extraordinariamente difíceis para o sistema bancário português em termos de rentabilidade», reforçou, apontando para a difícil conjuntura económica.

O vice-governador frisou que, nos últimos anos, a rendibilidade do setor foi severamente afetada, especialmente devido ao reconhecimento de imparidades, «consequência direta da deterioração da qualidade do crédito».

Em 2008, o rácio de crédito em risco da banca portuguesa situava-se nos 3,5%. Em 2011, já estava nos 7,4% e, em junho, tocou nos 9,1%.

«É uma evolução extraordinariamente difícil», assinalou o responsável, salientando que «não há qualquer período comparável» no que toca à degradação deste indicador.

Mas nem tudo são más notícias: «O sistema bancário português hoje está mais capitalizado, mais transparente e menos alavancado do que há um ou dois anos atrás», disse o vice-governador, depois de já ter sublinhado que «uma das lições da presente crise financeira foi a necessidade de haver mais e melhor capital».

O sistema bancário português tinha, em 2008, um rácio core tier 1 [capital puro] de 6,8%, mas em junho este valor já ascendia a 11,3%, acima do objetivo de 10% acordado com a troika.

Só de junho de 2011 a junho de 2012, este rácio cresceu 22%. E, entre 2008 e junho de 2012, a subida foi de 61%, correspondentes a um reforço de 13 mil milhões de euros.

Noutro campo, o responsável realçou que «nos oito maiores grupos bancários, o rácio de transformação [de depósitos em crédito] encontra-se já bastante aproximado do valor indicativo de 120% - acordado com a troika para ser atingido em 2014».

Pedro Duarte Neves apontou para a estrutura de financiamento da banca, que se foi adaptando ao longo destes anos de crise, sendo constituída, no final do primeiro semestre, por 48% de depósitos, 16% de dívida titulada, 13% do mercado interbancário, 13% de recursos obtidos junto dos bancos centrais e 10% de capitais próprios.

Agora, o objetivo do supervisor da banca portuguesa é «elevar a confiança do público português no sistema bancário».

Para tal, a nível da supervisão prudencial, Pedro Duarte Neves diz que o Banco de Portugal vai ter uma «presença intrusiva» nas instituições, uma recorrente avaliação dos ativos, e irá colocar os bancos «em cenários adversos» para testar a sua solidez.

Defendeu ainda que «a supervisão deve ser mais exigente a nível europeu, em que não existam diferenças de país para país».

fonte:http://www.agenciafinanceira.iol.pt/f

publicado por adm às 20:59 | comentar | favorito
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