BCP: 600 trabalhadores saem com subsídio de desemprego

Banco adquire estatuto de «empresa em reestruturação» para que funcionários que deixem o BCP por mútuo acordo possam ter direito ao subsídio

Todos os 600 trabalhadores que saírem do BCP através de rescisões amigáveis vão ter direito ao subsídio de desemprego. Para isso, o banco recebeu, da parte do Ministério da Economia, o estatuto de «empresa em reestruturação».

A informação foi prestada à Lusa por fonte oficial do gabinete do ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, que acrescentou que o banco foi informado da decisão no final de dezembro.

A decisão do secretário de Estado do Emprego, Pedro Martins, foi tomada depois de auscultadas várias entidades - Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e à Inovação, Instituto da Segurança Social e parceiros sociais - que deram pareceres favoráveis para a medida, segundo disse a mesma fonte à Lusa.

O BCP anunciou em novembro de 2012 que pretendia reduzir em 600 o número de trabalhadores até final do ano, através de rescisões amigáveis. Uma meta que foi atingida, disse recentemente o presidente do banco, Nuno Amado.

O BCP admitia avançar para um despedimento coletivo para atingir as metas a que se propunha, caso não fosse possível chegar aquele número através de rescisões amigáveis, algo que não foi necessário. 

«Trabalhadores bombardeados com e-mails»

De acordo com dados avançados pela da comissão de trabalhadores à Lusa, dos trabalhadores inicialmente contactados para rescindirem contrato, 420 aceitaram negociar a saída. Já outros recusaram, sendo que 50 foram mesmo considerados casos socialmente abrangidos pelos critérios de exclusão. 

A estes juntaram-se 180 trabalhadores que se auto propuseram para sair do BCP, o que permitiu que o saldo atual deste processo ronde a meta das 600 saídas.

A mesma fonte da estrutura representativa dos trabalhadores considerou que tem «havido pouca informação prestada pela administração» e acrescentou que os trabalhadores foram «constantemente bombardeados com e-mails que serviram para criar um clima de pressão psicológica na ótica de atingir os números finais».

O que o BCP ofereceu aos funcionários para saírem:

A decisão do Ministério da Economia de dar ao BCP o estatuto de «empresa em reestruturação» permite que todos os trabalhadores que saírem através de rescisões por mútuo acordo tenham acesso ao subsídio de desemprego, uma vez que, de acordo com a lei, há uma quota máxima de trabalhadores que, rescindindo contratos com a empresa, podem aceder a esta prestação social. Com esta autorização, todos os trabalhadores que saírem neste processo terão subsídio de desemprego.

O BCP ofereceu aos trabalhadores que aceitarem sair 1,7 vencimentos por cada ano de trabalho - inclui salário base, subsídios de férias e de Natal, isenção de horário, entre outros complementos -, mantendo ainda estes as condições do crédito à habitação, sobretudo a taxa de juro, assim como o seguro de saúde Médis.

Para os trabalhadores até 50 anos de idade o seguro mantém-se por um ano e acima dessa idade por dois anos.

O banco disponibiliza os serviços de uma empresa especializada para quem pretenda procurar um novo trabalho e uma linha de microcrédito para os que queiram abrir atividade por conta própria.

Em setembro, o BCP tinha 9.866 trabalhadores.

fonte:http://www.agenciafinanceira.iol.pt/fin

publicado por adm às 22:37 | favorito