Banca já começou a ser recebida pela "troika"

Entre os cinco grandes bancos nacionais, pelo menos o Santander Totta já foi recebido pelos técnicos do FMI, BCE e Comissão Europeia. Um dos objectivos do sector é evitar um aumento das exigências de capital.
A “troika” do Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Central Europeu (BCE) e Comissão Europeia já começou a receber as equipas das instituições financeiras, soube o Negócios, junto de fonte do mercado. Na segunda-feira, a missão de técnicos que está a avaliar a situação de Portugal no âmbito do pedido de ajuda externa recebeu uma equipa do Santander Totta.

Segundo soube o Negócios, o encontro teve lugar no Banco de Portugal. Contactado pelo Negócios, o banco liderado por Nuno Amado recusou fazer comentários.

Entre esta e a próxima semana, a “troika” deverá receber representantes dos cinco maiores bancos nacionais. O objectivo dos técnicos do FMI, BCE e Bruxelas será perceber as condições de liquidez e os impactos que a situação económica pode ter na rentabilidade e solvabilidade do sector financeiro português.

Por seu turno, os bancos querem mostrar às autoridades internacionais os impactos negativos que poderá ter a imposição de novas exigências de capital, designadamente no relançamento da economia. 

A banca procurará demonstrar que o aumento dos requisitos de capital de melhor qualidade (“core tier one”) do actual mínimo de 8% para 10% – nível fixado na Irlanda, onde a ajuda externa foi ditada pelo colapso do sistema financeiro – poderá obrigar a banca a cortar o crédito à economia de forma “abrupta”, o que dificultará a obtenção de financiamento por parte das empresas. 

Além disso, essa eventual nova imposição poderia, nalguns casos, levar à necessidade de recurso ao fundo público de capitalização do sector bancário, situação que a grande banca quer evitar a todo o custo, nem que para isso tenha que vender activos estratégicos.

Em alternativa, como o Negócios noticiou na semana passada, a banca prefere ser mais agressiva em termos de metas de desalavancagem, ou seja, de redução do rácio de transformação dos depósitos em crédito. O sector admite reduzir este indicador, que hoje é quase sempre superior a 150% para níveis entre 120% e 110%, em linha com o que tem sido definido na Grécia e na Irlanda.
fonte:http://www.jornaldenegocios.pt/
publicado por adm às 19:30 | favorito
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