Bancos centrais aconselhados a subir juros

Banco Internacional de Pagamentos (BIS, na sigla original) considera que os bancos centrais foram excessivamente sobrecarregados durante a crise e terão ido longe demais na acomodação das suas políticas monetárias, criando novos riscos e espaço para uma gestão de bancos e de países mais complacente do que o exigido pelas circunstâncias

“Os bancos centrais tornaram-se progressivamente sobrecarregados, depois de ao longo de anos terem sido fortemente chamados a estimular as economias através de políticas monetárias acomodatícias. Há agora preocupações crescentes sobre a eficácia destas políticas e sobre os seus efeitos negativos”, adverte o Banco Internacional de Pagamentos (BIS, na sigla original).

 

No seu relatório anual, divulgado neste domingo (23 de Junho), a organização integrada pelos governadores dos maiores bancos centrais do mundo, entre os quais Mário Draghi (BCE) e Ben Bernanke (Fed), considera que é tempo de começar a preparar o regresso a uma política monetária mais convencional, como já sinalizado pela Reserva Federal norte-americana.

 

Sublinha o BIS que “políticas prolongadas de baixas taxas de juro tendem a encorajar a tomada excessiva de risco, a acumulação de desequilíbrios financeiros e distorções de preços no mercado financeiro”. E os danos serão já concretos. Juros virtualmente nulos, acompanhados de iniciativas destinadas a baixar os custos de financiamento dos Estados criaram um quadro de “incentivos que têm enviado sinais errados às autoridades orçamentais (Governos) com graves problemas de sustentabilidade a longo prazo”, acusa o relatório que aponta o dedo designadamente a França e Itália que, segundo o BIS, não aproveitaram este período de acalmia proporcionado por políticas heterodoxas dos bancos centrais para recuperar competitividade.

 

O BIS considera ainda que a política extremamente acomodatícia dos bancos centrais também enviou sinais errados “àquelas instituições financeiras que não foram suficientemente longe no reconhecimento de perdas, no aumento de capital e que têm vindo a dilatar o prazo dos seus empréstimos”.

 

Por último, taxas de juro esmagadas nas maiores economias ocidentais puseram “pressão sobre as taxas de câmbio e encorajaram fluxos desestabilizadores de capitais para as economias emergentes de rápido crescimento e várias pequenas economias avançadas”.

 

O relatório não chega a sugerir prazos para o início de um novo ciclo de subida de juros e de retirada de estímulos. Mas ao referir que os mercados assumem que o “status quo” se prolongará por mais um ano, parece apontar para uma provável inversão de políticas depois desse prazo.

 

fonte:http://www.jornaldenegocios.pt/m

publicado por adm às 23:05 | comentar | favorito