Investimento da banca nacional em dívida pública a cair desde Dezembro

Em Fevereiro, empréstimos ao Estado e títulos de dívida nas mãos da banca ascendiam a 33 429 milhões
Em Fevereiro, os empréstimos e os créditos que a banca nacional detinha sobre o Estado atingiam 33 429 milhões de euros. Uma soma que inclui dívida pública e os empréstimos à administração central e a entidades regionais e locais. 

Este número representava quase 7% do activo total detido pelos bancos a operar no mercado nacional, de acordo com o último boletim estatístico do Banco de Portugal. No entanto, o valor caiu face a Dezembro, quando atingiu o valor mais alto registado pelas estatísticas mensais do banco central - disponíveis desde Dezembro de 1979. Em Dezembro de 2010, os créditos sobre o Estado atingiram 33 485 milhões de euros, o número mais alto em 30 anos, em valores absolutos e a preços nominais. 

Apesar da queda face a Dezembro, os montantes retomaram a trajectória ascendente em Fevereiro, por causa dos empréstimos ao Estado e à administração local e central. Mas é provável que voltem a cair nos próximos meses, à medida que a banca acelera a desalavancagem do balanço - redução do crédito concedido - e reduz a exposição ao sector público. O principal alvo deste processo, conforme assumido pelos líderes dos principais bancos nacionais, vai continuar a ser o financiamento do Estado através da compra de dívida soberana. 

A dívida pública é a principal componente do financiamento da banca ao sector público e está em trajectória descendente desde Dezembro. Nesse mês, as aplicações dos bancos em títulos de dívida chegaram ao valor máximo de 22 511 milhões de euros, tendo entretanto recuado para 21 018 milhões de euros em Fevereiro. Este movimento reflecte uma redução do investimento de 6,6% ou 1500 milhões. O desinvestimento em dívida do Estado é o factor que explica a baixa do crédito ao sector público. As outras duas componentes - empréstimos à administração central e entidades regionais - subiram desde Dezembro. 

transportes pesam mais Há uma explicação metodológica para o aumento muito significativo que se registou nos empréstimos a entidades da administração pública, que de Novembro para Fevereiro disparou 175%. Em causa, a contabilização no perímetro das administrações públicas, a partir do final do ano passado, de três empresas do Estado - Refer, Metro de Lisboa e Metro do Porto. 

Esta alteração, imposta pelos organismos de estatística nacional e comunitário, fez elevar o valor dos empréstimos dos bancos à administração pública para 5840 milhões de euros em Fevereiro. 

O financiamento às autarquias e regiões, rubrica que inclui a Segurança Social, também tem vindo a subir, mas a um ritmo gradual, tendo ficado em 6571 milhões de euros em Fevereiro.

De fora das contas do financiamento da banca ao Estado estão contudo a maioria das empresas públicas e os compromissos relativos às parcerias público-privadas.
fonte:http://www.ionline.pt/
publicado por adm às 19:33 | comentar | favorito
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