Banca vai cortar nos empréstimos ao futebol

Fernando Gomes, presidente da Liga de Clubes, alertou, hoje, que "já houve recomendações aos bancos para não continuarem a emprestar dinheiro" aos clubes de futebol.

O alerta do líder da Liga foi lançado no final da apresentação do documento "Competição fora das 4 linhas" , reflexão estratégica sobre a sustentabilidade do futebol profissional em Portugal, realizada pelo Centro de Estudos em Gestão e Economia da Universidade Católica, do Porto.

No trabalho coordenado pelos docentes Alberto Castro e Álvaro Nascimento há boas e más notícias. Entre os pontos positivos, destaca-se a duplicação de ativos (de 418 para 880 milhões de euros) dos clubes de futebol profissional, que desde a época 2006/07 estabilizou o seu volume de negócios acima dos 300 milhões -  317 milhões em 2009/10.

Passivo atinge 880 milhões de euros

 

Apesar do crescimento médio de 35% no período pós-Euro-2004 e da crescente visibilidade do futebol português a nível internacional, o passivo dos clubes profissionais aumentou para os 880 milhões de euros, tendo os clubes da I Liga inflacionado em cerca 500 milhões a dependência ao crédito bancário.

"Os clubes agiram à semelhança do país, vivendo de crédito fácil e, tal como a maioria dos portugueses, vão ter de poupar e procurar fontes de receitas de alternativas", referiu Alberto Castro.

De acordo com o estudo, nos últimos dez anos o endividamento dos clubes passou dos 17% para os 54%, com prejuízos acrescidos de 55 ilhões em 2009/10.

Clubes nas mãos da banca 

 

"Quem paga a banda, escolhe a música", diz Alberto Castro, numa alusão ao facto de ser banca o verdadeiro 'patrão' dos clubes portugueses, que para manterem a competitividade em campo e sustentabilidade financeira "fora das 4 linhas" terão de reforçar a exportação de talentos e atrair fundos de investimento externos.

13 meses depois de tomar posse como presidente da Liga, Fernando Gomes cumpriu hoje a promessa de apresentar, sem números escondidos, um diagnóstico do futebol português, conclusões que serão debatidas num congresso nacional a realizar até ao final do ano.

"Tal como o país, o futebol profissional precisa acordar para a realidade e questionar se este é o caminho que nos garante competitividade e sustentatibilidade. E por muito dura que seja a resposta, ela é clara:não", rematou Fernando Gomes.

Reformas na próxima época

 

Depois de serem encontradas as melhores soluções para combater a crise, Fernando Gomes promete tomar medidas e antecipar reformas antes do início da próxima época.

A equipa responsável pelo estudo afirma que há 11 questões em jogo para o futebol português chegar ao equilíbrio estratégico, ações que poderão ser realizadas clube a clube ou coletivamente.

A manutenção da II Liga como competição profissional, a possibilidade da gestão conjunta das receitas televisivas como meio de aumentar os proveitos, a criação de mecanismos de partilha de custos, a alteração dos quadros competitivos ou a valorização do futebolista português através de maiores investimentos na formação são alguns dos pontos da 'seleção Católica' à espera de resposta. 

fonte:http://aeiou.expresso.pt/

publicado por adm às 23:20 | favorito