CMVM aperta cerco a bancários

Um aforrador, com 72 anos, sem escolaridade e sem antecedentes de investimento em produtos financeiros de risco, pediu a contratação de um depósito a prazo, mas acabou por subscrever, por sugestão do funcionário da agência, um fundo especial de investimento. Estes fundos são produtos financeiros complexos e têm risco de perda de capital. 

Quando o cliente se apercebeu de que o valor era inferior ao capital investido pediu explicações ao banco. Foi-lhe dito que a perda era resultado da crise. A CMVM questionou o banco e, quando recebeu a documentação, deparou-se com impressão digital do cliente. A Comissão de Mercado de Valores Mobiliários questiona: "Como poderia um analfabeto ter lido e percebido o prospecto?" 

Este é um dos vários exemplos enumerados por Carlos Tavares, presidente da CMVM, para dar conta das reclamações dos investidores, "surpreendidos pela reduzida remuneração dos produtos ou pela constatação de que os seus inves- timentos apresentam características que não esperavam". Em 2010 entraram 628 queixas.

"Temos observado uma tendência de aumento na oferta de produtos complexos e redução na oferta de produtos simples [depósitos a prazo]. Há mais aplicações opacas e menos produtos transparentes", acusa. O reforço da protecção dos investidores é uma das prioridades da CMVM para 2011 e 2012. O regulador quer reforçar as exigências quanto à formação e qualificações, restringindo as pessoas que podem vender produtos complexos e, eventualmente, e exigir o seu registo na CMVM. O regulador vai reforçar a supervisão dos documentos e prospectos, publicidade, estratégias e práticas de comercialização.

fonte:http://www.ionline.pt/c

publicado por adm às 23:06 | comentar | favorito