Banca teria perdido 25% do capital sem financiamento do BCE

Estudo do FMI mostra que a injeção de liquidez pelo Banco Central reduziu em 400 pontos-base os custos de financiamento dos bancos portugueses e 'poupou' perdas no valor de um quinto do capital desde 2008.

Há mais de um ano que os bancos portugueses vivem suportados pelo Banco Central Europeu (BCE). Com o agravar da crise na Grécia no início de 2010 e o contágio a Portugal, a banca nacional ficou praticamente fora do mercado interbancário onde, em condições normais, deveria fazer o seu financiamento.

Já se sabia da dimensão do problema, mas não estava quantificado o seu impacto. O Fundo Monetário Internacional (FMI), num estudo publicado hoje juntamente com o relatório anual sobre a zona euro, concluiu que a política de injeção de liquidez do BCE permitiu poupar aos bancos da zona euro 500 pontos-base (cinco pontos percentuais) nos custos de financiamento desde o eclodir da crise financeira em setembro de 2008. No caso português, a poupança foi de 400 pontos-base, enquanto na Grécia e Irlanda atingiu 700 pontos.

De acordo com o estudo, sem esta ajuda a banca portuguesa no seu conjunto teria tido uma perda equivalente a 25% do seu capital, ou seja, um prejuízo superior a €4000 milhões ao longo destes anos. Os bancos irlandeses são, de longe, os que mais razões têm para agradecer a Frankfurt já que teriam perdido metade do capital. Na Grécia, as perdas teriam sido ligeiramente inferiores às portuguesas e teriam rondado 24%. Em Espanha, o prejuízo teria sido inferior a 10% do capital.

Recurso ao BCE disparou 


O recurso ao crédito do BCE disparou nos países mais afetados pela crise da dívida soberana desde o início de 2010 e atingiu sucessivos recordes ao longo do ano passado. Em Portugal, chegou aos €49,124 mil milhões em agosto. Desde então teve uma ligeira descida, embora ainda a níveis historicamente elevados, e voltou a subir a partir de março deste ano para um valor na ordem dos €48 mil milhões. Nos últimos três meses tem estado a recuar e os dados de junho, os últimos disponíveis, apontam para €43,884 mil milhões.

O maior recurso aos empréstimos do BCE por parte da banca europeia - em particular nos países mais pressionados - foi possível porque o banco central abriu as torneiras da liquidez para compensar as dificuldades no mercado interbancário. Em resposta à crise financeira, depois da falência do Lehman Brothers em setembro de 2008, decidiu que os leilões semanais de colocação de fundos deixavam de ter limite (até aí existia um total pré-fixado) e a taxa seria fixa (antes era uma base de licitação). Foram também introduzidas operações de injeção de liquidez a prazos mais longos. Várias medidas que foram sendo renovadas ao longo deste tempo.

 Fonte:http://aeiou.expresso.pt/b

publicado por adm às 21:57 | comentar | favorito