BdP: bancos devem vender activos e reforçar depósitos

Governador do Banco de Portugal diz que banca deve garantir um financiamento «regular e adequado» para reduzir dependência do Banco Central Europeu

 

O governador do Banco de Portugal (BdP) pressionou esta segunda-feira os bancos portugueses a venderem activos não-estratégicos e carteiras de crédito para se desalavancarem sem prejudicar demasiado a economia. E quer também que os bancos captem mais depósitos, mas sem pagar juros muito altos aos depositantes.

Esta solução não agrada aos bancos, para quem a melhor solução é mesmo que o Estado pague o que deve ao sector.

O responsável pelo BdP, citado pela Reuters, falava durante o IX Fórum Banca & Mercado de Capitais, organizado pelo «Diário Económico» em Lisboa, e defendeu que os bancos «mostraram resiliência face a choques adversos», mas têm de garantir um financiamento «regular e adequado».

Para o banqueiro, a cedência de liquidez, garantida pelo Banco Central Europeu, é apenas «uma resposta de emergência», não sendo «sustentável a médio prazo».

Para Carlos Costa é essencial diversificar fontes de financiamento através da venda de activos, carteiras de créditos e captação de mais depósitos. 

Carlos Costa sublinhou que «a captação dos depósitos deve acontecer num contexto de sustentabilidade de remunerações», ou seja, os juros oferecidos aos depositantes não podem ser demasiado elevados. 

Recorde-se que, em Junho, o BdP passou a exigir aos bancos que comunicassem os depósitos a prazo cuja remuneração excedesse em três pontos percentuais a taxa Euribor aplicável na operação.

Sublinhando agora que, devido ao seu «modelo tradicional de negócio, o sistema financeiro português tem níveis adequados de capital», o governador do BdP considera que os bancos precisam de reduzir o seu rácio de alavancagem para garantir a sua estabilidade, o que classifica de «imperativo inadiável».

Para o responsável pelo BdP o facto dos bancos terem passado os testes de stress europeus «reforçaram a confiança dos investidores internacionais», sendo agora necessário reforçar os capitais-base, para «fazer face aos riscos e acomodar eventuais perdas decorrentes da degradação da conjuntura económica».

Por isso, Carlos Costa classificou de ignorância a desconfiança dos mercados em relação à banca portuguesa, «decorrente de preocupações que nada têm a ver com os bancos. Resultam, por exemplo, de preonceitos face ao fenómeno do imobiliário português» que não enfrenta os problemas dos outros países.

Os banqueiros, por seu lado, consideram que as exigências da troika em termos de rácios de capital para a banca portuguesanão fazem sentido.

Governo tem de cumprir objectivos orçamentais

Já sobre a cimeira extraordinária do euro, que se realizou em Bruxelas na passada quinta-feira, Carlos Costa criticou a dificuldade dos países em encontrarem uma «resposta robusta» para a crise da dívida soberana, o que contribuiu para a instabilidade da região. 

Uma indecisão que teve efeitos no sistema bancário: «A deteriorização do risco soberano induziu deteriorização do risco do sistema financeiro».

Por isso, Carlos Costa defendeu a necessidade de criar um «governo económico» na área do euro e combater as «fragilidades intrísecas» da região.

Fragilidades essas que também precisam da contribuição dos governos de cada país. Neste sentido, o responsável chamou a atenção para a importância do Governo cumprir com os seus compromissos orçamentais.

«O braço económico da União Europeia, sendo indispensável, não dispensa o trabalho no plano interno para garantir o euro», concluiu.

fonte:http://www.agenciafinanceira.iol.pt/

publicado por adm às 23:03 | comentar | favorito