Bancos: rácio entre crédito e depósitos abaixo dos 140%

Desalavancagem só atingirá meta se Estado e sector empresarial público continuarem a reduzir financiamento

 

A desalavancagem da banca portuguesa está a ser feita a um bom ritmo, disse esta quarta-feira o presidente da Associação Portuguesa de Bancos, na Comissão Eventual para Acompanhamento das Medidas do Programa de Assistência Financeira a Portugal, que decorre na Assembleia da República. Mas a continuação deste trabalho pode ser posta em causa se o sector público precisar de mais financiamento.

António de Sousa estimou, perante os deputados, que o rácio entre créditos e depósitos do sistema bancário português caiu mais de 10 pontos percentuais em 2011, face aos iniciais 150%. «A desalavancagem em 2011 já foi substancial, estaremos abaixo dos 140%», afirmou. Uma redução que aproxima o indicador da meta definida no memorando de entendimento assinado com a troika, e que aponta para os 120% em 2014.

A meta pode ser atingida, mas isso vai depender em grande parte do comportamento do sector público e em particular das empresas públicas. É que a banca tem de reduzir o crédito concedido e, para não cortar o financiamento às famílias e empresas, é preciso que o sector empresarial do Estado (SEE) não esgote a sua capacidade de financiamento.

Para já, a banca tem dinheiro disponível para emprestar, ainda que a procura não esteja ao rubro. «Há capacidade disponível e bastante», mas «a banca tem de ser extremamente rigorosa nos critérios de risco, e cada vez menos empresas conseguem passar no crivo. Haverá muitas empresas que precisariam de mais crédito e não o obterão porque não passam nos critérios de risco», admitiu. Para além disso, «não há nenhuma pressão por parte das famílias para aumentar o endividamento. Só no sector empresarial do Estado, e mesmo aí é menor do que era há alguns meses, porque o Estado passou a emprestar directamente às empresas públicas», explicou.

«Para atingir a meta de desalavancagem, é preciso reduzir 20 a 30 mil milhões de euros no crédito concedido. Para isso, ou o Estado paga, ou situação tornar-se-á complicada. Aliás, só não se tornou ainda porque Estado começou a pagar e já pagou entre 3 a 5 mil milhões de euros», avançou. Segundo tem sido noticiado, é para isto que tem servido parte do dinheiro dos fundos de pensões da banca transferidos para o Estado.

Por isso, António de Sousa não hesita em dizer que a meta de atingir um rácio de 120% entre créditos e depósitos em 2014 só é «realista se o Estado mantiver esta tendência». «Sem estes pressupostos não é realista nem para o sistema financeiro nem para o défice público», diz.

O presidente da associação dos bancos apontou outros factores que contribuíram para a desalavancagem já conseguida, como a alienação de activos por parte das instituições, em particular activos internacionais, como carteiras de crédito e securitizações. Mas a melhoria é também mérito do esforço feito pelos bancos na captação de depósitos, uma frente que António de Sousa considera que os mesmos «foram muito eficazes».

Embora ainda não existam dados finais para o conjunto de 2011, António de Sousa sublinhou que, até Outubro, os bancos terão captado mais 8 ou 9 mil milhões de euros em depósitos, o que traduz uma subida superior a 5%.

A subida não se deve exclusivamente ao aumento da poupança nacional, mas também à «transformação de outro tipo de activos em depósitos», já que a algumas aplicações têm experienciado uma verdadeira «hemorragia» de aplicações, como os certificados de aforro, e os fundos de investimento mobiliários e imobiliários.

«baixar o rácio em 10 pontos, com estas medidas, é possível, mas agora temos de cortar mais 20 pontos percentuais e isso só é possível continuando estes esforços, mas também e sobretudo se o Estado continuar a reduzir a procura de crédito».

fonte:http://www.agenciafinanceira.iol.pt/fi

publicado por adm às 22:41 | comentar | favorito