Guerra pelos depósitos custa mais 1,5 mil milhões à banca

As elevadas taxas de juro oferecidas pelos bancos pesam mais 1,5 mil milhões face ao custo suportado há um ano.

A guerra pelos depósitos de clientes, particulares e empresas, está a custar à banca mais 1,5 mil milhões de euros por ano. As dificuldades de financiamento dos bancos tem conduzido à aposta na captação de recursos de clientes, onde o principal argumento utilizado é a taxa de juro oferecida, que mais do que duplicou no último ano. A taxa média nos novos depósitos de particulares subiu de 1,13% para 3,4% no espaço de 12 meses,enquanto os juros oferecidos nos depósitos de empresas passou de 0,76% para 3,75%, os juros mais altos da área do euro para depósitos de empresas.

Em Maio de 2010, os bancos portugueses pagavam 1,47 mil milhões de euros em juros por depósitos a prazo no valor de 103,2 mil milhões de euros. Um ano depois, o custo dos juros dos depósitos subiu para três mil milhões de euros, sobre uma carteira de 110,7 mil milhões de euros. Ou seja, o custo de captação de 7,5 mil milhões de euros em novos depósitos é de 1,5 mil milhões, ou 20% do total captado no último ano.

A expressão "guerra dos depósitos" tornou-se popular em Espanha, onde o Governo decidiu intervir impondo tectos máximos aos juros praticados, por considerar que os elevados juros podem afectar os balanços dos bancos, além de obrigarem a taxas mais altas na concessão de crédito. No entanto a taxa de juro média praticada em Espanha é 0,78 pontos percentuais inferior às taxas praticadas em Portugal. Aliás, na zona euro só o Chipre e a Grécia pagam juros superiores aos oferecidos pelos bancos nacionais. Em Junho, o Banco de Portugal decidiu intervir, passando a monitorizar os juros praticados nos depósitos, de forma a prevenir situações que ponham em causa a solidez dos bancos. Há dois meses que os bancos têm de comunicar ao regulador a existência de depósitos a prazo com juros superiores em três pontos percentuais à taxa Euribor aplicável ao período de cada aplicação, sem que tenha sido tomada qualquer medida mais restritiva até à data. 

fonte:http://economico.sapo.pt

publicado por adm às 23:05 | favorito