Bancários chumbam limites da lei geral para as suas pensões

Os bancários portugueses estão preocupados com a negociação para incorporar os fundos de pensões da banca no regime geral de Segurança Social. Entre os pontos dos quais não querem abdicar está a recusa de que lhes seja aplicado o plafonamento das reformas previsto no regime geral da Segurança Social. 

"Não queremos que nos sejam aplicadas as regras do regime geral de Segurança Social", afirma ao Dinheiro Vivo, Rui Riso, presidente do Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas. "Os bancários têm uma perspectiva de carreira de pensões, mas também de expectativas."

Riso acusa os bancos de durante anos não terem "contribuído para a solidariedade social" ao ficarem fora do regime de descontos. "Durante muito tempo isso foi favorável aos bancos. Agora já não?"

Outra das exigências que os representantes dos trabalhadores pretendem apresentar tem a ver com a relação entre a contratação colectiva e as pensões. "Actualmente, uma negociação que envolva um aumento salarial tem um reflexo nas pensões. Não aceitamos que isso acabe", aponta o sindicalista.

Um terceiro ponto está relacionado com a forma como serão provisionados os fundos. Apesar de, para o sindicato, a generalidade dos fundos estarem bem provisionados, se for necessário fazer um reforço de cobertura, deverão ser os bancos a assumir essa responsabilidade. "Se couber ao Estado essa tarefa, os bancários estariam a pagar duas vezes: financiaram os fundos e agora pagariam indirectamente através dos seus impostos."

Sexta-feira, Jürgen Kröger, representante da Comissão Europeia na troika revelou que o governo necessitará de uma receita extraordinária resultante da incorporação dos fundos de pensões da banca privada no sistema de Segurança Social, com o objectivo de corrigir os buracos do BPN e das contas da Madeira. 

Depois de ter conhecido este projecto do governo, Rui Riso pediu uma reunião de emergência com o ministro das Finanças. No entanto, até agora, não obteve resposta. Já os bancos tiveram direito a um tratamento diferente. No mesmo dia do anúncio, a Associação Portuguesa de Bancos (APB) foi recebida pelo governo para agendar para Setembro a discussão acerca deste tema.

Os fundos de pensões da banca nacional permitiriam ao Estado uma gigantesca correcção orçamental. Contabilizados apenas os quatro maiores bancos, existe uma receita potencial de 11,05 mil milhões de euros. Se a estes se acrescentarem os fundos mais pequenos, este valor poderá superar os 15 mil milhões de euros (8,7% do PIB). Mais que suficiente para cobrir o défice deste ano que, no primeiro trimestre, estava nos 7,7%.

fonte:http://www.dinheirovivo.pt/

publicado por adm às 21:49 | comentar | favorito