Famílias apostam em depósitos com prazos mais longos

Novos depósitos cresceram 60% em relação a 2010, com os clientes a procurarem as aplicações a prazo superiores a um ano.

Os bancos têm vindo a aumentar o número de depósitos com prazos mais longos, onde oferecem taxas crescentes que chegam a superar os 6%. E os clientes estão a responder, optando cada vez mais por aplicações superiores a 12 meses. 

As instituições financeiras intensificaram nos últimos meses os esforços para a captação de depósitos, encontrando nos clientes uma alternativa para financiarem a sua actividade, num momento em que os mercados de crédito estão praticamente fechados. E os portugueses continuam a dar primazia aos depósitos enquanto destino para as suas poupanças. 

As novas operações de depósitos por parte das famílias têm vindo a registar taxas de crescimento mais robustas, face a 2010. Segundo os últimos dados estatísticos doBanco de Portugal, em Agosto foram depositados 11.121 milhões de euros, o valor mensal mais elevado desde Janeiro de 2009. O elevado valor registado faz crer que os portugueses aproveitaram o subsídio de férias para reforçar as poupanças. 

Outra tendência que se tem verificado nos últimos meses é a diminuição do peso dos depósitos com prazos até um ano. Se em Janeiro representavam 86% das novas operações, agora ficam-se pelos 72,7%. Agosto é já o terceiro mês em que a percentagem rondou os 70%. 

Esta análise evidencia que os clientes estão a canalizar mais poupanças para as ofertas com prazos mais longos. Uma evolução que acompanha a estratégia comercial da banca, que tem apostado em "segurar" o dinheiro por mais tempo, nomeadamente através do lançamento de produtos com taxas crescentes, que chegam aos 6,5% no caso doBES. 

O relatório de supervisão comportamental do Banco de Portugal mostra que 32% dos depósitos lançados em 2010 tinham um prazo superior a um ano, contra 23% no ano anterior. 

Crédito em queda 

O esforço na captação de poupanças visa também cumprir as metas acordada com a troika, que obrigam a que os empréstimos não excedam em mais de 20% o total dos depósitos. Para o conseguir as instituições estão também a cortar na concessão de crédito. E Agosto voltou a ser disso um exemplo. Os bancos financiaram a economia em 4,25 mil milhões de euros naquele mês, menos 30,5% do que em Janeiro. O crédito às famílias caiu para metade e desceu 23% no caso das empresas. 

A tendência é para que este aperto no crédito se intensifique. O último inquérito do Banco de Portugal às instituições de crédito, revelado na sexta-feira, conclui que estas vão continuar a aumentar a restritividade no acesso ao financiamento exigindo, por exemplo, "spreads" mais elevados. 

Malparado em alta 

Os dados estatísticos do regulador revelam ainda um novo aumento do crédito malparado, para níveis recorde. Os bancos têm em carteira 10,99 mil milhões de euros, o que corresponde a 4,67% do total da carteira de empréstimos, apesar de esta não ter encolhido. 

O incumprimento é maior nas empresas (5,57%) do que nas famílias (3,21%), continuando a ser reduzido nocrédito à habitação (1,81%). Ainda assim, segundo a APEMIP, entre Janeiro e Julho as famílias entregaram 3.900 imóveis à banca por incapacidade de pagamento, mais 1,9% que em 2010.
fonte:http://www.jornaldenegocios.pt/h
publicado por adm às 23:56 | favorito