Recapitalização da banca: consequências para Portugal

As agências internacionais avançaram ainda no sábado que Portugal ter-se-á mostrado contra a recapitalização da banca, mas o certo é que os ministros das Finanças da União Europeia chegaram a um acordo preliminar sobre um mecanismo que prevê o reforço do capital da banca europeia

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, já veio garantir quePortugal não mostrou reservas quanto a esta matéria. Aliás, até deu «um contributo bastante positivo para a fórmula acordada em Bruxelas».

Ao lado das reticências de Portugal terão estado, segundo as agências internacionais, Espanha e Itália, também obrigadas a ceder nestas negociações, e também contra os novos critérios para a recapitalização da banca, que passam a ter em conta títulos da dívida soberana, que cada banco possui. 

Como os bancos portugueses têm mais títulos de dívida portuguesa - e essa é tida como mais perigosa, e pela mesma lógica estão também os bancos italianos, espanhóis e gregos - terão de fazer mais esforço para aumentar o capital de um banco do que, por exemplo, um banco holandês.

A par desta recapitalização, o problema da Grécia, também abordado nesta cimeira, persiste: em cima da mesa está a reestruturação da dívida detida pelos privados, em cerca de 50 ou 60%, correndo o risco de as agências de rating declararem uma reestruturação desta magnitude como um evento de crédito, o que irá provocar uma reacção em cadeira sobre os bancos e os países, sobretudo aqueles que estão em dificuldades.

Certo é que a reestruturação da dívida grega na mão dos privados contém um potencial perigo e poderá mesmo assim não ser muito eficiente porque mesmo com um corte de 50%, a dívida ficará sempre acima dos 100% do PIB do país.

Em torno destes dias de maratona europeia - da qual só sairá alguma decisão na cimeira da próxima quarta-feira -, subsiste a incerteza sobre a existência de recursos na Zona Euro e a vontade política de tomar decisões radicais. 

Está afastada a possibilidade de haver «dinheiro fresco» para acudir aos países em dificuldades, assim como a proposta francesa de ligar o Fundo Europeu de Estabilidade 
Financeira (FEEF) ao BCE, que tem recursos ilimitados. 

É exactamente o que também defende Cavaco Silva, um papel maior do Banco Central Europeu na resolução da crise dívida soberana, que pudesse actuar como um «emprestador ilimitado» aos Estados-membros que necessitassem de refinanciar a sua dívida. 

A proposta alemã para reforçar o FEEF implica um esquema complexo de engenharia financeira, que não tem a adesão do governo francês ou então o pedido de maior participação do Fundo Monetário Internacional. Das hipóteses, esta parece a mais credível, mas vai contra a lógica do próprio FEEF e seria o reconhecimento de que a Zona Euro é incapaz de resolver os seus próprios problemas.

fonte:http://www.agenciafinanceira.iol.pt/

publicado por adm às 22:08 | comentar | favorito
tags: ,