Banca paga 344 milhões ao Estado pela utilização de garantias para emitir dívida

Desde 2008 os bancos portugueses efectuaram 14 emissões de dívida, num total de 10 mil milhões de euros, com recurso a garantias estatais.

A utilização das garantias estatais por parte da banca portuguesa para emitir dívida vai render aos cofres do Estado um total de 344,4 milhões de euros até 2014, de acordo com os cálculos do Centro de Estudos Financeiros da Associação Portuguesa de Bancos.

De acordo com o relatório hoje divulgado, entre 2008 e Junho de 2011 os bancos portugueses efectuaram oito emissões de dívida utilizando as garantias do Estado. Estas emissões foram realizadas por seis bancos diferentes e permitiram às instituições financeiras levantar 4,875 mil milhões de euros do mercado. 

Após Julho de 2011 - já com o programa de garantias reforçado para 35 mil milhões de euros e Portugal com o pedido de ajuda externa – seis bancos portugueses fizeram mais seis novas emissões com recurso a garantias estatais, com um valor total de 5,08 mil milhões de euros.

A APB conclui assim que em Setembro de 2011 o montante das garantias em vigor totalizava 9,95 mil milhões de euros, sendo que o valor utilizado desde Julho de 2011 equivale a apenas 14,5% do orçamento, que totaliza 35 mil milhões de euros.

Assinala também que nenhum banco português acedeu à linha de recapitalização da banca portuguesa, que está agora cifrado em 12 mil milhões de euros.

O Centro de Estudos Financeiros da Associação Portuguesa de Bancos fez também as contas aos custos suportados pelos bancos com as comissões pela utilização das garantias, concluindo que estes ascendem a um valor total de 344,4 milhões de euros.

Em 2009 os bancos pagaram 11,2 milhões de euros, em 2010 mais 45,2 milhões de euros, sendo que no acumulado até este ano, os custos com as garantias totalizam já 119,1 milhões de euros. 

As estimativas da APB apontam para que as garantias custem á banca 103,8 milhões de euros no próximo ano, mais 69,4 milhões de euros em 2013 e mais 52,1 milhões de euros em 2014. 

“Para o crescimento do custo das comissões contribuiu não só o maior volume de garantias concedidas em 2011, como também o efeito preço proveniente do aumento da taxa média de comissão de garantia sobre as novas operações, em 43 pontos base aproximadamente”, salienta a APB.
fonte:http://www.jornaldenegocios.pt/
publicado por adm às 23:06 | favorito
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