Os bancos que mais subiram as comissões desde o início da crise

Desde 2010 que as instituições financeiras têm vindo a aumentar as comissões dos serviços associados às contas à ordem.

Abrir uma conta à ordem é um passo corriqueiro. Por isso não será de estranhar que, no final de 2010, existissem em Portugal mais de 25 milhões de contas com essas características. Isto equivale a um rácio de 2,5 contas por cada português. Contudo, a utilização de uma simples conta à ordem tem encargos associados. Custos que podem diferir bastante consoante a instituição e que sofreram um agravamento considerável desde que a crise da dívida soberana europeia despoletou no início de 2010. O Diário Económico analisou quanto estão a cobrar os dez maiores bancos e, segundo as nossas contas, os encargos com as comissões habitualmente associadas às contas à ordem subiram perto de 17% desde o início de 2010. Nessa altura, ter uma conta à ordem, fazer uma requisição de 20 cheques ao balcão, e 15 transferências interbancárias, também ao balcão, custava em média 114,6 euros, por ano. Hoje, o mesmo cabaz de operações custa 133,7 euros.

As razões para este agravamento de custos são fáceis de explicar. Perante o agravamento da crise, as instituições financeiras foram obrigadas a encontrar fontes alternativas para captar receitas e contrariar os resultados menos positivos de outras áreas de actividade. Uma das vias foi precisamente através do agravamento das comissões dos serviços prestados pelos bancos.

Para este trabalho foram comparados os preçários actuais com os que vigoravam em Fevereiro de 2010 nos dez maiores bancos a operar em território nacional. Designadamente: CGD, BCP, BES, Santander, BPI, Barclays, Montepio, Banif, Crédito Agrícola e Popular. Deste leque de instituições, o Montepio foi o que mais agravou o custo, ao balcão, do conjunto de três comissões analisadas. Desde o início de 2010, este banco aumentou em cerca de 61% o valor total das três comissões. Estas passaram de 72,5 euros para os 116,58 euros. A CGD e o Banif ocupam, respectivamente, o segundo e terceiro posto entre os bancos que mais encareceram nos últimos dois anos este tipo de serviços. O custo com essas operações subiu 41% e 25%, respectivamente, na CGD e no Banif. Já o Crédito Agrícola, o BPI e o Barclays estão entre as instituições que menos subiram o valor das suas comissões.

Contudo, existem algumas ressalvas importantes de fazer. No caso concreto do Montepio, apesar de se tratar da instituição que mais encareceu as comissões, ainda é uma das que menos cobra por esse conjunto de serviços. No lado oposto está o Barclays que, mesmo não sendo um dos bancos que mais agravou as comissões, é dos bancos que apresenta o preçário mais caro.

Analisando por tipos de comissões é possível constatar que foi nos custos de requisição de cheques que se registaram os maiores agravamentos. Contas feitas, o pedido de 20 cheques ao balcão representava, em Fevereiro de 2010, um encargo médio de 12,2 euros. Agora, esse valor médio subiu para 15,9 euros. O que representa uma subida de mais de 30%. Contudo, em termos de montantes, foi nas comissões de gestão de conta que se verificaram os maiores acréscimos. Desde Fevereiro de 2010, estas subiram em média 8,3 euros. Por sua vez, fazer 15 transferências interbancárias pontuais passou a custar agora mais 7,1 euros.

Contudo, é necessário ter em conta que, apesar dos valores publicados nos preçários, na realidade os encargos com comissões podem ser consideravelmente mais baixos. Isto acontece sobretudo no caso das comissões de manutenção de conta. Estas, normalmente, são isentas no caso de se tratarem de contas ordenado, para jovens ou com saldos médios mais elevados. O recurso à internet para efectuar algumas das operações ainda pode fazer baixar mais a factura. Por exemplo, quatro das dez instituições consideradas isentam o pagamento de comissão nas transferências interbancárias realizadas através da "rede".

Cenário base
Foram analisadas três comissões associadas a serviços de contas à ordem. Foi tido em conta o caso de um cliente que tem uma conta à ordem com um saldo médio de 1.000 euros, que faz 15 transferências interbancárias pontuais por ano e requisita um livro de 20 cheques. Foram analisadas as comissões cobradas ao balcão. No caso dos cheques, na impossibilidade de ter o número exacto de cheques (20), optou-se pela solução mais próxima (exemplo: livro de 22 ou 25 cheques). Foram comparados os valores dos preçários actuais e os que vigoravam em Fevereiro de 2010. A única excepção foi o Montepio em que, pelo facto de não dispormos do preçário de Fevereiro de 2010, utilizamos o de Janeiro de 2010.

 

Quanto cobram os bancos em comissões

 

CGD
A CGD figura entre os bancos que mais subiram os custos anuais com as três comissões analisadas.A manutenção de conta, a requisição de 22 cheques ao balcão e 15 transferências interbancárias custam, por ano, 135,17 euros, o que representa um acréscimo de mais de 40% face aos valores praticados no início de 2010.

BCP
Apesar de ser um dos bancos que mais cobra pelas três comissões, o BCP está entre as instituições que menos as agravou desde o início de 2010. Os custos de gestão de conta, a requisição de 20 cheques ao balcão e a realização de 15 transferências interbancárias pontuais por ano somam 145,29 euros: mais 8% face ao que se passava no início de 2010.

BES
Desde Fevereiro de 2010, o BES agravou em perto de 15% as comissões analisadas. A manutenção de conta, a requisição de 20 cheques ao balcão e a realização de 15 transferências interbancárias têm um custo anual de 147,6 euros, o que compara com 128,5 euros de há cerca de dois anos.

Santander
Apesar de ser um dos bancos que menos subiu as comissões, é a instituição que mais cobra por esses serviços. Por ano, a manutenção de conta, a requisição de 20 cheques ao balcão e 15 transferências interbancárias custam 161,4 euros. Ou seja, mais 9,5% face aos 147,35 euros que cobrava em Fevereiro de 2010. É o que cobra mais tanto pelas transferências interbancárias como pela requisição de cheques.

BPI
O BPI é, simultaneamente, o banco que menos cobra em comissões e um dos que menos agravou o custo deste tipo de serviços desde Fevereiro de 2010. Os encargos com a manutenção de conta, a requisição de 20 cheques e a realização de 15 transferências interbancárias subiram nesse período perto de 5%, dos 94,13 euros para os actuais 98,63 euros.

Barclays
Apesar de ser um dos bancos que menos aumentou as comissões analisadas, o Barclays mantém-se como uma das instituições que mais as oneram. A gestão de conta, a requisição de 25 cheques ao balcão e a realização de 15 transferências interbancárias, têm um custo anual próximo de 148 euros. Em Fevereiro de 2010, o custo era de 137,26 euros. É também o banco que mais cobra pela manutenção de conta: 80 euros por ano.

Montepio
O Montepio foi a instituição que, desde o início da crise, mais subiu as suas comissões: 61%. A manutenção de conta, a requisição de 20 cheques ao balcão e a realização de 15 transferências interbancárias custam 116,58 euros. Há dois anos, as mesmas operações custavam 72,5 euros. Apesar desse agravamento, o Montepio continua a ser uma das instituições que menos cobra por estas três comissões.

Banif
Trata-se de um dos bancos que mais subiu as comissões. A manutenção de conta, a requisição de 20 cheques ao balcão e a realização de 15 transferências interbancárias subiram 25%, dos 111 euros que se verificava no início de 2010 para os 139 euros actuais. Esta subida deveu-se sobretudo ao incremento dos custos de manutenção de conta já que estes duplicaram de 25 para 50 euros, por ano.

Crédito Agrícola
Foi a instituição que menos subiu as comissões desde o início de 2010. A única comissão a sofrer um incremento foi a de requisição de cheques, que subiu um euro. Desta forma, a manutenção de conta, a requisição de 20 cheques ao balcão e a realização de 15 transferências interbancárias custa agora 119 euros por ano, quando em Fevereiro de 2010 custavam 118 euros. A instituição mantém-se também entre as que menos cobram por estes três serviços.

Popular
O Popular cobra, por ano, 127 euros pela manutenção de conta, requisição de 20 cheques ao balcão e pela realização de 15 transferências interbancárias. Ou seja, mais 18% face a Fevereiro de 2010. Nessa altura, o banco cobrava 107,5 euros na prestação dos mesmos serviços. Essa subida de custos deve-se apenas à alteração numa comissão: a aplicada nas transferências interbancárias. O custo de cada operação desta natureza subiu de 1,7 euros para 3 euros.

fonte:http://economico.sapo.pt/

publicado por adm às 18:41 | comentar | favorito