O que vai suceder ao seu banco

Exigências europeias prometem levar Estado a dois bancos criados após nacionalizações
O grande desafio a que o seu banco estará sujeito no próximo ano é o cumprimento das exigências de solidez definidas pela Autoridade Europeia de Supervisão e pela troika. 

O principal esforço terá de ser feito até final de Junho, altura em que as grandes instituições financeiras têm de cumprir as metas de solidez definidas a nível europeu. E numa altura em que as duas dezenas de bancos cujos fundos de pensões vão passar para o Estado têm de absorver os impactos negativos desta operação.

Não estranhe, por isso, se, nos primeiros seis meses do ano, o seu banco recorrer ao apoio estatal. Nalgumas instituições, a aparente inevitabilidade de recurso a fundos públicos resulta, sobretudo, do facto de os bancos terem sido obrigados a criar almofadas temporárias de capital devido à desvalorização da dívida pública que têm em carteira.

Também não será surpreendente que surjam novos investidores como accionistas dos bancos. Os chineses que ganharam a corrida à EDP admitem que a banca chinesa tem interesse em Portugal.




CGD 
é o banco do Estado mas deve poupar o Tesouro


A troika quer que o banco do Estado evite, ao máximo, usar fundos públicos para cumprir as exigências de solidez. Só se a venda de activos e outras medidas que a CGD adopte não forem suficientes é que o Estado pode apoiar a instituição, o que parece inevitável devido à carteira de dívida pública do banco. Mas a Caixa deve contar com uma ajuda preciosa: a venda do negócio segurador.

Se as necessidades não forem satisfeitas por meios próprios, a CGD terá o apoio do Estado.

Troika
Terceira versão do memorando




BCP poderá contar com um novo accionista?

Será alvo preferencial numa eventual investida da banca chinesa em Portugal, mais provável após Pequim ter manifestado intenção de reforçar o investimento no País no âmbito da vitória na corrida à EDP. Dificilmente evitará ter de pedir ajuda ao Estado, mas sem que este fique com acções. A Sonangol, hoje maior accionista, também deve reforçar a posição no processo de capitalização do banco.

BCP estudará outras oportunidades, incluindo a linha de recapitalização.

BCP
Comunicado de 8 de Dezembro




BES deverá testar apoio de investidor estratégico

Com a generalização da crise da dívida à Europa, a capitalização do BESpoderá pôr à prova o empenho do Crédit Agricole. O parceiro do BES terá também de reforçar capital, podendo não estar disponível para injectar dinheiro em Portugal. Certo é que, entre os grandes bancos, o BES é o menos pressionado nesta caminhada. A sua preocupação é evitar, a todo o custo, a ajuda estatal.

Aumento de capital [de 2011] vai permitir manter independência estratégica do banco.

Amílcar Morais Pires
Administrador financeiro do BES




BPI poderá assistir a reforço da posição angolana?

BPI admite recorrer ao Estado para cumprir as metas de capital, o que não deve implicar que este fique accionista - o grande esforço deve-se à dívida pública. Os accionistas serão chamados a este esforço, pelo que a Santoro pode aproveitar para elevar a posição no BPI. O grupo angolano de Isabel dos Santos já admitiu passar os 10% mas ainda não pediu autorização nesse sentido.

O BPI vai analisar todas as opções de reforço de capital, incluindo a linha de recapitalização.

BPI
Comunicado de 8 de Dezembro




Totta beneficia de ser parte do maior grupo espanhol 

Santander Totta está adiantado no processo de reforço do rácio de solvabilidade. No final de Setembro tinha um "core tier one" de 9,6%, próximo dos 10% exigidos no final de 2012. Por esta razão, mas também por fazer parte do maior grupo financeiro espanhol, a instituição não deve pedir ajuda ao Estado. A casa-mãe será sempre chamada a responder a uma eventual surpresa.

A probabilidade de apoio do Banco Santander é extremamente elevada.

Fitch
Relatório de 6 de Dezembro




Barclays é apenas uma sucursal do banco britânico

Como sucursal do Barclays britânico, a operação portuguesa não está sujeita às metas de capital definidas para os bancos de direito local. O que não significa que, num contexto de austeridade e recessão em Portugal, não tenha uma atitude mais cautelosa. Esta será a tendência natural, até por se tratar de um grupo estrangeiro que não opera em euros, a moeda da crise da dívida.

A operação portuguesa do Barclays não está sujeita às metas de capital definidas para os bancos de direito local.




Popular tem tido o apoio da casa-mãe espanhola

O Popular Portugal é controlado na totalidade pela casa-mãe espanhola, que acaba de assegurar um aumento de capital de 75 milhões de euros na instituição portuguesa. Esta operação terá garantido o cumprimento da meta de solidez deste ano. E igual atitude é de esperar em 2012, até tendo em conta que em Espanha o Popular tem estado disponível para comprar instituições mais fracas.

Foi deliberado um aumento do capital, integralmente subscrito pelo Popular Español.

Banco Popular Portugal
Comunicado de 28 de Dezembro




Montepio reforça capital já a pensar neste ano e em 2012

No final de Junho, o Montepio tinha um nível de solidez em linha com as exigências definidas para o final deste ano. Para os últimos dias deste ano, a caixa económica tinha previsto um aumento de capital de 100 milhões de euros, com o objectivo de compensar o impacto negativo das inspecções da troika no rácio deste ano e de preparar 
o cumprimento do objectivo de 2012.

Montepio aumenta capital tendo em vista a meta de "core tier one" no final de 2012.

Montepio
Comunicado de 8 de Dezembro




Crédito Agrícola já cumpre meta de capital de 2012

O Crédito Agrícola tem a maior folga no cumprimento das metas de capital definidas pela troika. No final de Setembro, o seu rácio de solvabilidade mais exigente ("core tier one") rondava 12%, acima do mínimo de 10% que as autoridades internacionais impõem a sector até ao final do próximo ano. Esta posição dá-lhe ainda margem para absorver o impacto da crise económica.

O grupo está numa situação confortável relativamente às questões essenciais.

João Costa Pinto
Presidente do Crédito Agrícola




Banif à espera de clarificação da estrutura accionista

Era para já ter acontecido há meses, mas, até à hora de fecho desta edição, os herdeiros de Horácio Roque, fundador do banco, ainda não tinham um acordo de partilhas. Este ano, o Banif SGPS deve conseguir cumprir as metas de solidez sem ajuda estatal. Em 2012, o desafio é grande, pelo que a clarificação accionista será determinante para perceber qual o futuro do grupo.

As medidas em curso vão ser suficientes para cumprir rácios de 2011 sem apoio do Estado.

Marques dos Santos
Presidente do Banif
fonte:http://www.jornaldenegocios.pt/h
publicado por adm às 21:37 | comentar | favorito