Fundo de pensões: «Banca fica mais sólida»

Governador do Banco de Portugal diz que transferência das pensões para a Segurança Social tem vantagens para os bancos

O governador do Banco de Portugal (BdP) garantiu esta sexta-feira, no Parlamento, que a banca «fica ainda mais sólida» depois da transferência dos fundos de pensões para o regime geral da Segurança Social.

«Posso garantir que, no final desta operação, o sistema financeiro estava sólido e fica agora ainda mais sólido», disse Carlos Costa, na primeira de seis audições no Parlamento sobre esta matéria.

«Os bancos têm interesse em transferir esta contingência, porque as taxas de rendimento e a valorização dos activos alteram-se. Há uma vantagem para o sistema financeiro», acrescentou o responsável do BdP.

Uma justificação que não agradou a Honório Novo, deputado do PCP, partido que chamou Carlos Costa ao Parlamento, que aponta o dedo ao processo, acusando o Estado de proteger os interesses dos bancos, em detrimento dos interesses de «milhares de pensionistas».

A transferência dos fundos de pensões de bancos privados para o regime geral da Segurança Social foi a solução encontrada pelo Governo para cumprir a meta do défice orçamental em 2011.

Bancos dão parte em dinheiro, outra parte em dívida

O Estado estima encaixar 6 mil milhões, ficando a dever contrapartidas a cerca de 27 mil pensionistas que terão sido envolvidos e passam agora para a Segurança Social.

A primeira tranche, de 55 por cento do valor total, já foi transferida. O restante valor terá de passar para aos mãos do Estado até 30 de Junho de 2012.

A entrega do primeiro montante, a «maioria foi feita em dinheiro e uma pequena parte em títulos de dívida», explicou Carlos Costa, explicitando: «Só 7 milhões de euros foram em dívida pública, o que é muito pouco».

«A banca preferiu pagar em dinheiro porque a transferência de dívida pública se fazia a desconto», disse Carlos Costa, garantindo que deste modo os activos «não têm risco».

O governador sublinhou ainda que a contabilização desta transferência terá de ser feita no ano 2011, «por imposição do Eurostat».

fonte:http://www.agenciafinanceira.iol.pt/

publicado por adm às 19:46 | comentar | favorito