Luís Amado a caminho do Banif

Ajudar o banco a consolidar negócios internacionais e a reduzir exposição à Madeira serão missões do ex-ministro dos Negócios Estrangeiros, convidado para chairman do banco.

Saído da política activa há menos de um ano, a próxima paragem de Luís Amado deverá ser na banca privada. O ex-ministro dos Negócios Estrangeiros de Sócrates, segundo apurou o SOL, foi convidado pela Rentipar, accionista do Banif, para assumir a liderança do grupo financeiro e terá aceite o desafio – depois de ter rejeitado ir para a administração da Caixa Geral de Depósitos e, mais recentemente, para o Conselho Geral e de Supervisão da recém-privatizada EDP. 

A nomeação de Luís Amado para chairman do grupo financeiro com origem madeireinse deverá acontecer no âmbito da próxima assembleia-geral, cuja data ainda não está marcada. A presidência da Banif SGPS, holding do grupo, é hoje ocupada por Joaquim Marques dos Santos, que sucedeu ao fundador do banco, o comendador Horácio Roque, após a sua morte, em meados de 2010. Luís Amado não respondeu às perguntas do SOL. Também não foi possível ter reacções de Marques dos Santos, nem de Fernando Inverno, presidente da Rentipar. 

Num momento em que o mercado doméstico está em quebra para a generalidade dos bancos portugueses – antecipando-se uma vaga de prejuízos, inclusivamente para o Banif –, ajudar o grupo a reforçar a consolidação nos negócios internacionais será uma das missões que Amado terá no novo cargo, explicou ao SOL uma fonte próxima do processo. Reduzir a exposição aos negócios na Madeira, a que pelas suas origens a instituição está particularmente ligada, será outra das prioridades da futura gestão, dada a grave crise financeira do arquipélago. O Banif chegou a ser um dos bancos que admitia recorrer ao pacote dos 12 mil milhões de euros para cumprir as metas impostas pela troika em termos de rácios de capital. Mas Marques dos Santos, garantiu recentemente ao Diário Económico que essa hipótese já não se deverá colocar. 

Afinidades com a Madeira 

Amado tem uma relação próxima com a Madeira, que começou por razões familiares: a mulher, que conheceu em Lisboa quando era estudante universitário, é madeirense. Economista de formação, iniciou a vida profissional no arquipélago como professor no ensino secundário e depois como funcionário do Tribunal de Contas da Madeira. A aproximação ao PS deu-se também na política regional: em 1985, foi eleito deputado à Assembleia Legislativa Regional, pelo PS, e mais tarde vereador na Câmara do Funchal. Desde essa altura que mantém «uma muito boa relação» com Alberto João Jardim, segundo fontes do Governo Regional. 

Chegou ao Executivo com António Guterres, mas foi com Sócrates que se estreou como ministro: primeiro na Defesa e, mais tarde, na diplomacia. No xadrez socialista, é um dos (poucos) ‘gamistas’, ou seja, a ala mais à direita do PS. Manteve sempre a relação à Madeira, onde tem casa, e onde já fez exposições de escultura, um dos seus hóbis. 

fonte:http://sol.sapo.pt/i

publicado por adm às 21:04 | favorito
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