Caixa precisa de mil milhões para cumprir rácios de capital

O banco estatal, que apresentou um prejuízo de 488,4 milhões, poderá negociar um eventual recurso aos 12 mil milhões da ajuda estatal para cumprir o ‘core tier 1’ em Junho.

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) deverá precisar de cerca de mil milhões de euros de reforço de capital para atingir, em Junho deste ano, os 9% de ‘core tier 1', com a constituição da almofada de capital temporária para dívida soberana pedida pela autoridade bancária europeia (EBA). Segundo soube o Diário Económico, o montante ficará, portanto, bastante abaixo dos 1,8 mil milhões de euros que tinham sido apresentados no início de Dezembro do ano passado, como estimativa de fundos próprios necessários.

Por outro lado, o recurso aos 12 mil milhões de euros de ajuda estatal para a capitalização da banca poderá ser uma possibilidade. Apesar de ter ficado inicialmente definido no memorando da troika que este pacote não poderia ser utilizado pelo banco do Estado, o Diário Económico sabe que essa possibilidade estará em cima da mesa, sendo ainda necessário negociar com as autoridades internacionais que em breve regressam a Portugal.Questionado na conferência de imprensa de sexta-feira, o presidente executivo da Caixa não quis dar valores, nem tão pouco dar conta dos meios que serão utilizados para chegar aos 9% de ‘core tier 1' pedidos pela EBA em Junho deste ano. Ainda assim, era já sabido e foi mesmo admitido em 2011 pelo Governo, que o accionista Estado deverá apoiar o reforço. Não se sabe, no entanto, se o apoio será total ou apenas parcial. Esse apoio do accionista poderá acabar por vir a fazer-se através dos 12 mil milhões de euros.

José de Matos apenas adiantou aos jornalistas que vai, de facto, ser necessário "algum reforço de capital" e que, face aos 1,8 mil milhões inicialmente estimados, o montante efectivo necessário será "claramente inferior a este" e que tem havido "um processo de diálogo com o accionista". Sobre os detalhes do plano de capitalização apresentado ao Banco de Portugal, referiu apenas que "as relações da comissão executiva com as autoridades são absolutamente confidenciais". E assegurou: "Estamos absolutamente certos de que cumpriremos as exigências de Junho e do final do ano". Para além de cumprir os 9% da EBA em Junho, a Caixa terá igualmente de atingir, à semelhança dos outros sete maiores bancos do mercado, 10% de ‘core tier 1' pedidos pela troika no final de 2012. Para satisfazer estas exigências, o banco do Estado não deverá contar com o contributo da venda dos negócios da saúde e seguros. Segundo apurou o Diário Económico, a venda dos seguros, não só não vai ser feita na primeira metade do ano como poderá ficar concluída já em 2013. Quanto à saúde, a alienação deve acontecer mais cedo, mas a ajuda que trará aos capitais da CGD é muito inferior ao que trará a venda dos seguros. 

 

fonte:http://economico.sapo.pt/n

publicado por adm às 21:44 | comentar | favorito