Banca reage à crise. BES vende Bradesco. BPI vai viver só dos depositantes

O BES anunciou ontem a venda da totalidade da participação (6%) no Bradesco, o maior banco privado brasileiro e seu parceiro desde 2000. O negócio vai permitir um encaixe de 1200 milhões de euros relativos à participação do banco e dos fundos geridos pela ESAF (Espírito Santo Activos Financeiros). A maior fatia, de 870 milhões, irá para o BES, que assim garante um contributo precioso para o reforço dos rácios de capital. O banco irá ficar um Core Tier 1 acima de 8%, seguindo as recomendações do Banco de Portugal - no final do ano o indicador estava em 7,9%.

Já em meados de Abril, o jornal brasileiro "Valor Econômico" avançava esta hipótese como uma das formas de elevar os níveis de capital do BES, apontando contudo para um valor de venda superior: 1,7 mil milhões de euros. Na altura, fonte oficial do BES ouvida pelo "Jornal de Negócios" disse desconhecer a informação.

O acordo para alienação da participação no Bradesco, que no conjunto representa mais de 6% do capital, foi feito com a Companhia Cidade de Deus, holding que já detém a maior fatia do capital deste banco. O Bradesco é parceiro do BES em África e accionista do banco português com 6%. A alienação da participação é mais um sinal do esforço que os bancos nacionais estão a encetar para garantir rácios e liquidez numa conjuntura que se tornou ainda mais difícil depois do pedido de ajuda ao FMI.

BPI sai dos mercados Ontem o presidente do BPI disse que o banco está a preparar-se para viver sem o mercado, o que significa depender apenas dos depositantes para financiar a sua operação. O BPI deixou de ter exposição ao Banco Central Europeu no final do primeiro trimestre - mil milhões de euros no final do ano - e vai financiar-se com os depositantes. É claro que esta estratégia tem "um limite. Não daremos o crédito todo que o mundo precisa", diz Ülrich.

Na apresentação dos resultados do primeiro trimestre, o responsável deixou a mensagem. "Os próximos dois anos vão ser difíceis em Portugal. Não tenhamos ilusões. A optimização de processos e redução de custos vão continuar."

Redução de efectivos Para além do anunciado fecho de 47 balcões, o banco vai continuar a reduzir pessoal, esperando descer abaixo da linha de 7 mil funcionários nos próximos meses. Hoje o banco tem 7234 trabalhadores, mas chegou a ter 7767 em 2008. O objectivo é "estar ágil" para vir a beneficiar do crescimento quando ele regressar. O banco fechou o primeiro trimestre com lucros de 45,3 milhões de euros, o mesmo nível de Março de 2010. O rácio Core Tier 1 subiu para 9%.

O BPI tem em carteira 2700 milhões de euros de dívida pública portuguesa, um valor considerável, reconhece Ülrich, apesar de o banco não comprar destes títulos desde final de 2009. A preços de mercado, os títulos do Tesouro representam uma menos--valia potencial da ordem dos 500 milhões. Mas esta situação só trará perdas ao banco se vender os títulos. A exposição à dívida grega atinge 480 milhões de euros.

Na sequência da descida do rating abaixo de A, o BPI teve de reforçar os colaterais dados em operações de financiamento internacional em 400 milhões de euros, contando já com dados de Abril.
fonte:http://www.ionline.pt/
publicado por adm às 22:51 | comentar | favorito
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