BCP lança campanha para atrair investidores às acções nacionais

Pela primeira vez em muito tempo, os bancos tradicionais voltam a fazer campanhas para estimular o investimento em acções.

Nos últimos dois anos quem visitou os sites das principais instituições financeiras portuguesas deparou-se com duas grandes tendências. Primeiro: a maioria das campanhas publicitárias levadas a cabo pelas instituições cingiram-se a depósitos. Segundo: as promoções e anúncios relacionados com a concessão de crédito e o investimento em acções desapareceram do mapa. Mas esta tendência pode ter os dias contados.

O BCP acaba de dar o "pontapé-de-saída", entre os bancos tradicionais, no lançamento de campanhas promocionais com o objectivo de atrair os seus clientes de volta às acções. A campanha em questão foi lançada no dia 6 de Março e promete dar um desconto de 50% nas comissões de transacção de títulos no mercado Euronext Lisbon nas operações que sejam feitas até ao dia 4 de Maio. Na prática significa que quem, por exemplo, der uma ordem de compra de títulos da bolsa portuguesa no valor de 15.000 euros irá pagar uma comissão de 11, 25 euros ao abrigo desta campanha, quando numa situação normal, o valor da comissão aplicada seria de 22,5 euros.

No entanto há que ressalvar vários pontos. Primeiro, e tal como o comunicado do banco refere, este desconto de 50% aplica-se apenas quando estão em causa ordens de compra e venda apenas sobre acções portuguesas. Ou seja: se o investidor quiser adquirir uma acção espanhola ou francesa estará sujeito às condições do preçário normal. Além disso, o desconto só se aplica às ordens dadas através da internet ou da aplicação online disponível através de meios como o iPhone, o iPad; o iPad Touch-App Bolsa ou do Mobile SMS. Ou seja, ordens de bolsa dadas ao balcão ou por telefone não beneficiam do desconto de 50% nas comissões.

Além disso, convém ressalvar que apesar da promoção prever um desconto de 50%, existem comissões mínimas que são consideradas. Por exemplo, para uma ordem de compra ou venda de títulos no montante de sete mil euros, a comissão normal prevista para esta operação no BCP é de 0,25% do montante. Isto significa que em condições normais este investidor pagaria uma comissão no valor de 12,5 euros. Se esta operação fosse feita ao abrigo da campanha dos 50% de desconto, o investidor poderia pensar que a comissão cobrada cairia para os 6,25 euros. No entanto, como o banco prevê a cobrança de uma comissão mínima de nove euros, este será o valor que o investidor terá de suportar.

Contactado pelo Diário Económico sobre as razões que levaram o banco a apostar no lançamento de uma campanha focada no investimento em acções portuguesas fonte oficial respondeu : "[O banco] pretende com esta campanha destacar as vantagens da utilização de canais ‘online' e ‘mobile' para efectuar as suas transacções no mercado de capitais - não apenas de preço, mas também pela facilidade de acesso, mobilidade e informação essencial para a tomada de decisão de investimento para instrumentos como acções". O banco não esclareceu, no entanto, se o lançamento desta campanha está ou não relacionado com a recuperação que as bolsas mundiais estão a protagonizar. Recorde-se que os principais índices europeus estão a acumular ganhos desde o início do ano que variam entre os 6% e os 21% ( excepto o Ibex que perde 1,63%). Já a bolsa portuguesa sobe uns singelos 1,79%. O facto do BCE ter feito duas grandes injecções de liquidez no sistema financeiro e a relativa acalmia face à situação da Grécia contribuíram para restaurar um pouco a confiança dos investidores. Também nos EUA, os principais índices acumulam ganhos expressivos.


Cuidados a ter ao investir em acções:

1 - Comissões
Investir directamente no mercado accionista acarreta alguns custos para o investidor. Além de ter de pagar ao intermediário financeiro uma comissão de transacção (que pode ser fixa ou variável- consoante o montante da operação), o investidor tem ainda da suportar a taxa de bolsa. Esta taxa refere-se ao custo que é cobrado pelas bolsas de valores onde os títulos são negociados. Este encargo poderá já estar incluído na comissão de transacção paga ao intermediário financeiro. Além disso, há ainda outros encargos inerentes ao investimento em acções. Um deles é a comissão pela guarda de títulos. Segundo da Deco, só este custo pode atingir os 300 euros por ano. Ainda assim, existem alguns operadores que não cobram esta comissão.

2 - Opte pela internet 
Várias análises feitas no passado pelo Diário Económico e também pela Deco comprovam um facto: negociar títulos através da internet é consideravelmente mais barato do que fazer essas operações através dos canais radicionais, como o telefone e os balcões dos bancos. Em alguns casos, o preçário pela internet chega a ser 50% mais barato face às comissões cobradas pela mesma instituição mas ao balcão. Um estudo do ano passado, feito pela Proteste Investe, mostrava ainda que os bancos tradicionais eram aqueles que apresentavam, de forma geral, os preçários menos competitivos. E a provar que é importante escolher o intermediário financeiro, o mesmo estudo revelava ainda que a escolha do banco/corretora mais adequado poderia fazê-lo poupar mais de 2.000 euros por ano em comissões de bolsa.

3 - Antes de investir, treine
Se está a equacionar a possibilidade de investir directamente no mercado accionista há vários conselhos que deve ter em conta. Além de se assegurar que este investimento está de acordo com o seu perfil de risco, os investidores devem também fazer um "treino" das suas estratégias. Existem vários intermediários financeiros que disponibilizam de forma gratuita (por um determinado período) o acesso às suas plataformas de negociação de títulos, através de uma versão simuladora. Ou seja, o investidor poderá simular operações de compra e venda de acções, com dinheiro fictício e testar várias estratégias de ‘trading' para perceber como funciona o mercado.

fonte:http://economico.sapo.pt

publicado por adm às 22:02 | comentar | favorito