Guerra dos depósitos: «Não há almoços grátis»

«A questão da guerra dos depósitos é simples: trata-se de um problema de liquidez», começou por dizer o governador do Banco de Portugal, no Parlamento, referindo-se às elevadas taxas de juro oferecidas pelos bancos e travadas, entretanto, pela instituição que lidera. «Como nós sabemos não há almoços grátis. Se pago de um lado, tenho de recuperar do outro e, se não recupero, agravo o meu risco».

Foi a pensar nisso, explicou Carlos Costa, que o Banco de Portugal estabeleceu um limite a partir do qual os juros pagos pelos bancos para os depósitos são penalizados. 

«O Banco de Portugal não proibiu que se pagassem taxas superiores. O que disse foi que quem corre o risco de assumir encargos tem que ter capital para o fazer, ou seja, tem de ter capital para estar perfeitamente à vontade para pagar 6% ou 7%», explicou o responsável, durante uma audição parlamentar, em resposta à pergunta do socialista Basílio Horta.

«O que eu não quero ver é uma instituição fragilizada porque se põe numa posição em que não consegue recuperar», acrescentou Carlos Costa, admitindo que o importante é evitar situações do passado, quando «tivemos exemplos de depósitos muito bem pagos que acabaram mal. Não podemos repetir essa experiência». 

Carlos Costa já tinha frisado, na sua declaração inicial, que os«depósitos são o maior ativo da economia»

Na mesma comissão, o governador disse também que osbancos estão a cumprir o acordo com a troika, sugerindo que comecem a emprestar uns aos outros. Quanto aos empréstimos junto do BCE, são quase todos a três anos.

Quanto ao acesso ao crédito, Carlos Costa admitiu que as dificuldades das empresas são evidentes, aconselhando que os bancos resgatados devem ficar limitados na hora de emprestar dinheiro.

Quanto ao desempenho do país em cumprir o acordo com a troika, o responsável disse que estamos «no bom caminho», mas avisa: «Portugal arrisca-se a entrar numa espiral recessiva».

fonte:http://www.agenciafinanceira.iol.pt/f

publicado por adm às 23:15 | comentar | favorito