BCP e BPI já podem recorrer aos 12 mil milhões da troika

O BCP, o BPI e o Banif já podem ir buscar o capital público de que necessitam para reforçar rácios aos 12 mil milhões de euros da troika, depois de esta quinta-feira ter sido publicada a portaria que regulamenta as condições para o fazerem.

A portaria publicada em Diário da República com as condições para a entrada e saída do Estado das instituições de crédito permite que, a partir de sexta-feira, os bancos possam recorrer à linha de recapitalização de 12 mil milhões de euros, que tanto o BPI como o BCP e o Banif já admitiram usar.

No caso do BCP, o banco precisa de cerca de 2.500 milhões de euros para atingir um rácio de capital core tier 1 (a medida mais eficaz de avaliar a solvabilidade de um banco) de 9% até final de junho, de acordo com as exigências da Autoridade Bancária Europeia (EBA em inglês) que incluem a avaliação a preços de mercado da exposição à dívida soberana e ao setor público.

No caso do BPI, para atingir o mesmo rácio, as necessidades de capital estimadas pelo próprio banco estão entre 1.000 e 1.400 milhões de euros.

Valores que, em ambos os casos, ainda podem sofrer ajustes já que têm em conta a carteira dos bancos de setembro de 2011 e há dívida que entretanto venceu, assim como se vai reduzir a exposição destes ao setor público, com o Estado a usar parte do dinheiro da transferência dos fundos de pensões para comprar créditos dos bancos ao setor público, como lembrou Fernando Ulrich, presidente do BPI, na apresentação de resultados do banco do primeiro trimestre.

Estas necessidades de capital deverão ser colmatadas através do recurso por estes bancos à linha de recapitalização, mas também poderá haver aumento de capital através de acionistas privados.

Um analista do setor contactado pela Lusa estimou que o BCP vá buscar 1.500 milhões de euros ao Estado, fazendo para o restante um aumento de capital, em que os angolanos da Sonangol podem aproveitar a oportunidade para reforçar a sua participação (de cerca de 11%).

Já o BPI, que publicamente dá pouca informação sobre o assunto, vai ao Estado para se recapitalizar, podendo também levar a cabo um aumento de capital de acionistas privados, depois de alterações recentes na estrutura acionista em que o espanhol La Caixa passou a deter 39,54% do seu capital social e a holding Santoro, de Isabel dos Santos, filha do presidente de Angola Eduardo dos Santos, quase 20%.

Os bancos podem recorrer à ajuda pública tanto através da subscrição de ações pelo Estado como de instrumentos híbridos (obrigações de capital contigente ou «coco bonds»), um título de dívida que se converte imediatamente numa ação a partir do momento em que o banco intervencionado não cumprir determinadas condições.

Os bancos deverão querer cumprir as necessidades de capital de que precisem recorrendo ao Estado através das «coco», já que o Estado não se torna seu acionista e evita a diluição das posições dos atuais acionistas dos bancos. No entanto, de acordo com a portaria hoje publicada, este instrumento obriga ao pagamento de uma remuneração que deve situar-se entre os 7 e os 9,3 por cento ao Estado, que será posteriormente determinada através de despacho do ministro das Finanças, sob proposta do Banco de Portugal.

fonte:http://www.agenciafinanceira.iol.pt/

publicado por adm às 23:25 | comentar | favorito
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