BCP não vai conseguir recuperar perdas no crédito

O presidente do BCP, Nuno Amado, admitiu esta quinta-feira que o banco não vai conseguir recuperar as imparidades já contabilizadas no crédito, explicando aos acionistas que a prioridade da gestão é evitar novas perdas.

De acordo com o antigo administrador financeiro do BCP, António Rodrigues, depois de questionado por um acionista no decorrer da assembleia-geral sobre uma eventual recuperação das imparidades reconhecidas pelo banco com créditos vencidos, Amado admitiu que «não vai haver recuperação» e que «a prioridade é evitar novas imparidades».

«Nuno Amado disse aos acionistas que há que proteger o navio das tempestades que ainda aí vêm. Esta é uma navegação à vista», disse aos jornalistas António Rodrigues, à saída da reunião magna do banco, segundo a Lusa.

Já sobre a previsível entrada do Estado na estrutura acionista do BCP, no âmbito do recurso do banco à linha de recapitalização da troika, o responsável sublinhou que «o importante é ter capital e cumprir os rácios. O incumprimento seria muito negativo».

De resto, António Rodrigues afirmou que partilha a visão do presidente do BCP, considerando que «o banco tem grandes desafios pela frente, ainda para mais por estar inserido num país que vai viver uma situação complicada durante vários anos».

António Rodrigues aproveitou a ocasião para elogiar os novos líderes do BCP: «É uma equipa de gestão notável. Nuno Amado é o melhor profissional deste país em banca e tem uma boa equipa. Dêem-lhes condições e o BCP vai voltar a ser um case study».

O responsável não deixou de lançar algumas farpas contra a atuação de Vítor Constâncio enquanto estava à frente do Banco de Portugal: «No passado todos cometemos muitos erros. Entrámos na zona euro, o capital era barato e foi concedido crédito a mais e todos somos culpados por isso. Mas o governador do Banco de Portugal deveria ter olhado para o setor como um todo e voltar a impor limites ao crédito concedido, como antes [da adesão à moeda única europeia] havia».

«Como é que não viu que estávamos tão endividados face ao exterior», questionou, acrescentando que «há responsabilidades do supervisor» nas imparidades com o crédito que têm vindo a ser assumidas pela banca portuguesa.

Na assembleia geral, Nuno Amado disse ainda que, face às decisões tomadas hoje e depois de o banco ser capitalizado com a ajuda do Estado, o BCP «vai ficar mais forte».

fonte:http://www.agenciafinanceira.iol.pt/

publicado por adm às 23:21 | comentar | favorito
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