Como evitar surpresas no extracto bancário

Montantes muito elevados e total arbitrariedade na aplicação do imposto tornam muito caras certas operações pouco habituais.

Quando olhamos para o extracto da conta à ordem, encontramos vários custos: despesas de manutenção, anuidades de cartões ou outras. Alguns são habituais e já se conhece quanto e quando será cobrado. Mas há serviços menos comuns, como levantar dinheiro ao balcão ou pedir uma declaração do valor da dívida no crédito à habitação, que também têm encargos: nalguns bancos, chegam quase aos 200 euros.

Para lhe poupar surpresas, a Dinheiro & Direitos analisou os preçários de 18 bancos e indicou os custos mínimos e máximos de certas operações pouco habituais. Além de terem ficado admirados com alguns montantes, verificou que o imposto aplicado para o mesmo serviço varia de uma instituição para a outra. Ou seja, para a mesma despesa, algumas aplicam o imposto de selo (4%) e outras o IVA (23%). Tal pode originar alguma confusão aos consumidores, que acabam por sentir no bolso esta dualidade de interpretações.

De zero a dezenas de euros

Para a análise, a Dinheiro & Direitos seguiu a lógica dos preçários dos bancos. Dividiu as operações em quatro grupos, consoante estejam relacionadas com depósitos, crédito à habitação, cartões ou cheques. Na área dos depósitos, verificou o custo de levantar dinheiro ao balcão, pedir uma segunda via do extracto bancário e alterar os titulares da conta. No último caso, se quiser acrescentar o cônjuge ou um filho à sua conta, por exemplo, apenas seis bancos cobram o serviço. O valor varia entre 6,87 euros, no Santander Totta, e 8,61 euros, no Montepio. Já se precisar de levantar dinheiro no balcão porque se esqueceu do cartão em casa e não tem cheques nem caderneta, todos cobram. Caso peça uma segunda via do extracto bancário, o Montepio é o único banco sem comissão.

Nas operações relacionadas com o crédito à habitação, a Dinheiro & Direitos pesquisou os montantes cobrados para declarações com o valor da dívida ou da prestação, bem como pela emissão de uma segunda via para efeitos de IRS e mudança de seguradora. A emissão das declarações é gratuita em vários bancos. Entre os que cobram pelo serviço, os valores variam muito e podem ultrapassar os 150 euros, em função da finalidade ou do período analisado. Caso precise de uma segunda via da declaração de IRS ou queira trocar a companhia onde contratou os seguros relacionados com o crédito, são poucos os bancos que cobram encargos. Quando o fazem, chegam a pedir 40,37 euros (Santander Totta) para a declaração de IRS e 156 euros para a troca de seguradora, como se verifica no BES.

No caso dos cartões, a Dinheiro & Direitos consultou o custo de uma listagem de movimentos no multibanco e de uma segunda via do extracto do cartão de crédito. Esta última operação só é gratuita na Caixa Galicia. A primeira é paga em mais de metade dos bancos. Nalguns, o valor depende do número de páginas originado.

Foi analisado ainda o preço da cópia de um cheque e de várias operações relacionadas com cheques sem provisão. A maioria das últimas operações é bastante cara, incluindo simples notificações que também são do interesse do banco por apontarem para a regularização da dívida. Algumas, como a remoção do nome da lista de incumpridores assim que a dívida é regularizada, deveriam ser automáticas e gratuitas. Mas só o Banco Big, o Banco Popular e o Deutsche Bank nada cobram.

Anarquia no imposto aplicado

Os valores indicados neste artigo incluem sempre o imposto que o banco cobra. O problema é que, dos 15 serviços analisados, nenhum reúne o consenso dos bancos quanto ao imposto a aplicar: 23% de IVA ou 4% de imposto de selo. Nalgumas situações, a preferência vai para um dos impostos, mas há sempre uma instituição que entende cobrar o outro.

Em princípio, o IVA aplica-se à prestação de um serviço e o imposto de selo a uma comissão bancária. Mas os bancos não são uniformes na interpretação desta regra e tal acaba por reflectir-se no bolso do consumidor. Por exemplo, uma comissão de 100 euros fica por 104 euros, acrescida de imposto de selo, e por 123 euros, se for aplicado o IVA.

Uma nota final sobre duas comissões que a Dinheiro & Direitos encontrou no preçário do crédito à habitação de dois bancos e que teve dificuldade em entender. O Banif e o Crédito Agrícola exigem 307,50 euros a um consumidor que, face a dificuldades económicas, acorde com o banco a entrega do seu imóvel para saldar parte ou a totalidade da dívida do crédito. O último também cobra 39 euros no crédito à construção, pela libertação de cada tranche do montante emprestado, além das habituais comissões por cada vistoria realizada ao longo dos trabalhos do imóvel.

fonte:http://economico.sapo.pt/n

publicado por adm às 22:11 | favorito