Barclays protege-se de uma eventual saída de Portugal e Espanha do euro

O banco britânico admitiu que tomou "medidas importantes" para cobrir o risco de Portugal e Espanha abandonarem a Zona Euro.

A instituição chama-lhes "riscos de redenominação". Ou seja, riscos relacionais com perdas financeiras caso "um ou mais países saiam do euro e se registe uma desvalorização dos activos e passivos em moeda local", escreve o "El País" na sua edição online, citando declarações dos responsáveis do banco britânico perante analistas e investidores.

No comunicado com a apresentação de resultados, o Barclays não vai tão longe na explicação das medidas que tem estado a tomar em Portugal e Espanha. Admite que servem para mitigar os "riscos de redenominação" e que o grupo continua a reduzir o "desnivelamento no financiamento local". Ou seja, entre os níveis dos activos que detém em cada país e o financiamento do grupo desses mesmos activos. 

O Barclays faz habitualmente uma gestão de liquidez centrada em Londres, mas agora alterou esta estratégia. Segundo o "El Pais", o banco britânico chegou à conclusão que esta política aumenta o risco de perdas se Espanha sair do euro, tendo desta forma decidido adoptar uma série de "medidas mitigadoras".

Uma delas passa pela retirada de capitais do Barclays em Espanha e também em Portugal. No último empréstimo a 3 anos realizado pelo BCE à banca europeia, o Barclays pediu 8,2 mil milhões de euros através das unidades em Portugal e Espanha. Além disso está agora muito mais activo na captação de depósitos nos dois países.

Medidas "mitigadoras" que visam reduzir o financiamento directo do Barclays em Londres às suas unidades naPenínsula Ibérica. E que estão já a produzir resultados. De acordo com os dados que constam no comunicado do Barclays, em seis meses a exposição directa do banco britânico à unidade espanhola caiu de 12,1 para 2,5 mil milhões de libras (15,4 para 3,2 mil milhões de euros) e em Portugal baixou de 6,9 para 3,7 mil milhões de libras (8,8 para 4,7 mil milhões de euros). 

Desta forma, as unidades do Barclays em Espanha e Portugal estão agora com um menor desnível no financiamento local, pois aumentaram a exposição ao BCE e estão a captar mais fundos junto das famílias dos dois países. O que reduzirá as perdas para o Barclays caso se concretize o cenário dos dois países saírem do euro.

O banco britânico tomou ainda outras medidas para se proteger contra a hipótese de agravamento da crise no euro. Nos primeiros seis meses do ano cortou a exposição à dívida soberana de Espanha, Itália, Portugal, Irlanda, Grécia e Chipre em 22% para 5,6 mil milhões de libras (7,14 mil milhões de euros).

Em Espanha reduziu em 13% para 2,2 mil milhões de libras (2,8 mil milhões de euros) e em Portugal cortou em 27% para 588 milhões de libras (750 milhões de euros). A unidade portuguesa tem um total de crédito concedido de 8,43 mil milhões de libras (10,75 mil milhões de euros), abaixo dos 9,86 mil milhões de libras (12,57 mil milhões de euros) no final de 2011.
fonte:http://www.jornaldenegocios.pt/h
publicado por adm às 23:44 | comentar | favorito