Bancos privados cortam 6500 milhões de euros de crédito à economia

Os grandes bancos privados prosseguiram, no primeiro semestre, o esforço de desalavancar a actividade, tentando alcançar um maior equilíbrio de balanço entre o crédito concedido e os depósitos captados. No total, BCP, BPI, BES e Santander Totta cortaram o crédito à economia em 6511 milhões de euros.

A carteira total de crédito bruto dos quatros maiores bancos privados diminuiu de cerca de 185,3 mil milhões de euros para 178,8 mil milhões, um corte de 4% de Janeiro a Junho, face ao mesmo período do ano anterior.

As empresas foram mais afectadas pelo fecho da torneira do que os particulares. Enquanto o financiamento às pequenas e grandes empresas sofreu uma redução de 3927 milhões de euros (menos 4%), nas famílias assistiu-se a um decréscimo de 2287 milhões (menos 3%). Os bancos atribuem esta redução à quebra na procura, mais do que às restrições na oferta. A deterioração das perspectivas económicas, o encerramento de muitas empresas, o aumento do desemprego e a diminuição do rendimento disponível dos particulares travam a procura.

Em simultâneo, as quatro instituições viram os depósitos aumentar em 6274 milhões de euros para 124,3 mil milhões de euros. A desalavancagem alcançada no decorrer do primeiro semestre permitiu uma redução do rácio de crédito sobre depósitos de 146% em Junho de 2011 para 132% no final do primeiro semestre deste ano. Isto significa que, em termos médios, por cada 100 euros de depósitos captados, os maiores bancos privados estão a conceder 132 euros de crédito.

O retrato de Janeiro a Junho mostra que o crédito continuou em retracção, mas a captação de depósitos registou um ligeiro abrandamento – isto porque os bancos sofreram, sobretudo no segundo trimestre do ano, a concorrência agressiva do lançamento de obrigações de grandes empresas do PSI 20 destinadas a particulares, com taxas de juro entre seis e 7% brutos, o que compara com uma remuneração média de 3,15% nos depósitos.

O Memorando de entendimento prevê que este rácio atinja 120% até ao final de 2014, uma meta que, ainda assim, deverá ser atingida mais cedo do que o previsto. No final do primeiro semestre, o BPI apresentava um rácio de transformação de 107%, cumprindo já o limite indicativo fixado pela troika. No Santander Totta, o rácio fixou-se em 136,8%, e no BCP em 138%. O BES, com um rácio de 147%, é a instituição que está mais longe de alcançar a meta.

Chegar a 120% “constitui um objectivo ambicioso que tem obrigado o sector financeiro à reformulação de ofertas de captação de recursos e ao aprofundamento da selectividade do crédito concedido”, referiu Ricardo Salgado na apresentação das contas semestrais.

Por um lado, os depósitos bancários “eliminaram” a concorrência dos produtos de dívida do Estado, uma vez que os certificados de aforro e do tesouro nunca pagaram tão pouco. Por outro, só este ano, já seis empresas avançaram com a emissão de obrigações destinadas ao retalho: EDP, Semapa, Zon, Brisa, Sonae e Portugal Telecom. No total, estas empresas colocaram junto das famílias portuguesas 1,77 mil milhões de euros. Entretanto, a REN também já anunciou que a empresa está a ponderar vender obrigações no retalho.

O presidente do BES foi um dos banqueiros a salientar o desvio de poupanças dos depósitos para estas emissões obrigacionistas. “Observa-se uma nova tendência dos aforradores para produtos de poupança de maior retorno do que os depósitos, os quais são objecto de spreads máximos fixados pelo Banco de Portugal. Verifica-se, em particular, uma acentuada procura de obrigações emitidas por empresas nacionais, o que revela maior confiança na economia nacional”, afirmou Ricardo Salgado.

fonte:http://www.ionline.pt/d

publicado por adm às 22:23 | comentar | favorito