Mais de 200 famílias por dia deixam de pagar à banca

Este ano mais de 37 mil famílias deixaram de pagar créditos à banca, com o incumprimento a superar a totalidade do valor registado em 2011.

Este ano está a ser avassalador para muitas famílias portuguesas que recorreram ao crédito. Na primeira metade de 2012, 37.637 famílias deixaram de cumprir com o pagamento dos empréstimos que contrataram junto da banca. Os novos casos de incumprimento identificados apenas na metade do primeiro semestre já ultrapassam o total de 34.633 agregados que deixaram de pagar as prestações em todo o ano passado. Em média, este valor equivale a 206 famílias a entrar em incumprimento por dia ao longo da primeira metade do ano.

No total, são já cerca de 708.500 as famílias com prestações vencidas. Na prática, isto significa que no final de Junho, 15,6% do total de devedores já se encontravam numa situação de incumprimento, como é possível de concluir a partir da análise dos dados da Central de Responsabilidades de Crédito do Banco de Portugal.

Apesar do elevado número de portugueses que já entraram em situação de incumprimento desde o início do ano, no segundo trimestre o número de novos casos sofreu uma redução considerável face ao trimestre anterior. Entre Abril e Maio de 2012, o total de novas famílias a deixar de pagar os empréstimos foi de 10.093, o que compara com o recorde histórico de 27.822 verificado nos três meses anteriores. Natália Nunes, responsável pelo gabinete de apoio ao sobreendividado da Deco, mostra-se surpreendida com essa redução no número de novos casos ao longo do segundo trimestre. "Na Deco, aquilo que nós continuamos a ver é o número de famílias a pedir ajuda a aumentar. Por exemplo, em Julho, 74% das situações que nos chegaram já se encontravam em incumprimento", explica a responsável. Mas, Natália Nunes não acredita que o número de novas famílias a deixar de pagar os créditos continue a baixar. "Tendo em conta as previsões que apontam para a subida do desemprego ou mesmo o novo código de trabalho, tudo isto me leva a crer que o número de famílias com dificuldades continue a aumentar nos próximos tempos", reforça Natália Nunes.

fonte:http://economico.sapo.pt/n

publicado por adm às 08:23 | favorito