Banca compra dívida com garantia estatal para se financiar no BCE

‘Acordo tácito’ entre bancos permitirá colocação das obrigações no mercado doméstico.

As emissões de obrigações com garantia estatal que o BES e a Caixa vão realizar, no valor total de três mil milhões de euros, destinam-se a investidores institucionais nacionais, nomeadamente outros bancos.

Segundo as fontes contactadas pelo Diário Económico, existirá uma forma de ‘acordo tácito' entre os bancos portugueses, no qual todos ficam a ganhar: os que emitem dívida e os que nela investem.

Os bancos que emitem as obrigações conseguem prolongar o prazo dos financiamentos - dos actuais três meses para três anos - e suprir as suas necessidades de liquidez para 2011. Já os bancos que investem nessas emissões ganham novos activos elegíveis para servirem de colaterais no financiamento junto do Banco Central Europeu (BCE) à taxa de juro de referência do euro: 1,25%. Isto porque as obrigações com garantia do Estado são aceites pelo BCE, tal como o Diário Económico noticiou ontem. Ataca-se assim o principal problema que a banca nacional enfrenta, que é a escassez de liquidez.

Este facto - aparentemente contraditório face à necessidade de os bancos portugueses reduzirem a exposição ao BCE - explica o porquê do recurso à garantia numa altura em que a mesma não assegura ainda o regresso aos mercados de dívida internacionais. E explica ainda a necessidade de vender a investidores portugueses. Ontem, a Caixa confirmou em comunicado à CMVM que está a preparar uma emissão de obrigações não subordinadas até 1,8 mil milhões de euros, para "colocação privada no mercado institucional doméstico". E também o BES pretende colocar a maior parte da sua emissão de 1,2 mil milhões de euros em Portugal.

Juro será superior a 10%

Os analistas contactados pelo Diário Económico consideram que as emissões de dívida com garantia do Estado português deverão ter um preço semelhante à ‘yield' média das obrigações do Tesouro a três anos, que ontem fechou a cotar nos 10,7% no mercado secundário.

fonte:http://economico.sapo.pt

 

publicado por adm às 23:24 | comentar | favorito