Privatização da CGD: os prós e os contras

O presidente do BES, Ricardo Salgado, admite uma privatização parcial da Caixa Geral de Depósitos (CGD), desde que o banco continue a ser controlado pelo Estado.

«Disse várias vezes que era contra a privatização da CGD. Atendendo à situação difícil do nosso país, parece que a privatização não seria um problema», afirmou Ricardo Salgado à margem de uma conferência realizada pela revista «Exame», num hotel de Lisboa, e citado pela Lusa.

Apesar de aceitar a privatização da CGD, o banqueiro afirmou que esta instituição deve «continuar a ser controlada pelo Estado atendendo à missão que tem para desempenhar na área bancária e financeira».

Questionado sobre se os próximos tempos seriam o melhor momento para uma privatização do banco público, Salgado reiterou que «o Estado tem de privatizar, não tenhamos dúvidas, vamos ver qual será melhor altura».

Já o presidente executivo do BPI, que «sempre disse que era a favor da privatização da CGD», quer mais. «Penso que, para começar, uma privatização parcial é o mais indicado».

«Desde agora até concretizar uma operação destas ainda hão de acontecer muitas coisas. Uma vez feita, é preciso dar tempo para ver como a CGD se desenvolveria nesse cenário e, porque não, um dia ser privatizada mais», acrescentou.

Para Fernando Ulrich, com o capital parcialmente privatizado, o banco público seria «um ator importante no processo de consolidação da banca que possa ser necessário ocorrer», ou seja, poderia participar em fusões e aquisições.

«Se estiver cotada em bolsa tem mais agilidade para participar em operações de consolidação do que agora, em que a única forma de obter capitais é através do acionista Estado, que durante anos vai estar limitado na possibilidade de fornecer capitais», detalhou.

Ulrich disse ainda que com acionistas privados a gestão da Caixa «teria mais escrutínio e controlo».

«Se fosse feita uma auditoria à gestão CGD no tempo dos governos socialistas, nenhum dirigente socialista teria coragem para fazer qualquer pronunciamento sobre a CGD», afirmou.

Ex-ministros divididos

Também Mira Amaral e Carlos Tavares se manifestaram hoje favoráveis à privatização total ou parcial da Caixa Geral de Depósitos (CGD),.

«Vamos ser realistas e pragmáticos, se é para privatizar privatize-se 100%», defendeu Mira Amaral. «Todos os contribuintes são acionistas da CGD e eu falo como acionista da CGD».

O ex-presidente da CGD e atual presidente do banco BIC sustentou que o banco público não é «grande instrumento de apoio às pequenas e médias empresas (PME)», pelo que, «se a CGD é só para financiar grandes operações e grande capital, não é preciso o banco ser público».

Mas, se é para apoiar PME e empresas de risco privado, projetos de internacionalização interessantes para a economia portuguesa, «faz sentido» manter o banco público.

Mais moderadamente, Carlos Tavares defendeu uma eventual privatização parcial, na ordem de 40%, da CGD. «Contribuiria para eficiência da gestão da CGD ter acionistas privados», afirmou, lembrando «exemplos de negócios feitos pela CGD que ficaram caros ao país». 

Pelo contrário, Pina Moura e José Vieira da Silva são contra. «Não, de todo não!», afirmou o ex-ministro da Economia e Finanças de António Guterres, defendendo a manutenção de um perímetro financeiro e económico no setor publico, no qual «a CGD é um instrumento muito importante».

Já Vieira da Silva defendeu que uma CGD totalmente pública «é útil para a economia de um país como Portugal», ainda que tenha admitido terem «existido maus negócios». 

Augusto Mateus, também ele ministro da Economia no primeiro governo socialista liderado por António Guterres, afirmou que fazia uma distinção entre «empresas estatais e empresas públicas», para defender que «o modelo de transformar a CGD deve passar pela abertura do capital, mas não pela privatização».

fonte:http://www.agenciafinanceira.iol.pt/f

publicado por adm às 22:25 | comentar | favorito