Banco Postal poderá ser lançado em duas fases até ao início de 2016

Os CTT, que ontem divulgaram lucros de 39,2 milhões de euros, uma melhoria de 8,6% face ao primeiro semestre de 2014, admitem abrir o Banco Postal em duas fases, segundo a informação divulgada ao mercado. A abertura ao grande público acontecerá no início do próximo ano, embora se mantenha o calendário de lançar o banco no último trimestre deste ano.

Francisco Lacerda, presidente dos CTT, explica ao Diário Económico que "a preparação do Banco continua em bom ritmo, há uma motivação grande, temos atraído pessoas competentes para a equipa, a começar pela liderança". Em declarações por telefone, o gestor garante que "o projecto está a acontecer, em boa colaboração com o supervisor para vir a abrir até final do ano, podendo a expansão mais forte acontecer no início do próximo ano".

Os CTT têm revisto permanentemente o plano de negócios do Banco Postal, devido às evoluções do mercado, e deverão continuar a fazê-lo até à abertura da entidade. Por isso mesmo, no comunicado enviado ao regulador, é referido que pode ocorrer mais uma revisão tendo em conta o resultado de"um conjunto de diligências ainda em curso (designadamente quanto a sistemas, processos e estratégia de ‘roll out' e portefólio do Banco Postal)". Embora o ‘business plan' revisto preveja um ‘roll out' mais rápido os Correios admitem realizá-lo em duas fases: uma abertura faseada seguida de uma abertura ao grande público, para "assegurar o funcionamento eficaz de todos os processos e sistemas". 

OsCorreios já entregaram o pedido de registo especial junto do Banco de Portugal, no passado dia 6 de Julho, e toda a documentação requerida pelo regulador, estando dado mais um passo para a abertura da instituição, que será liderada por Luís Pereira Coutinho e reforçará a componente de serviços financeiros dos CTT.

Esta aérea voltou a impulsionar os resultados no semestre, com as receitas a alcançar os 367,1 milhões de euros, um crescimento de 3% - a contraciclo com o sector e tendo em conta que a actividade de correio tradicional caiu 2,4%. 

"É um trimestre de bons resultados", considerou Francisco Lacerda. "Os resultados do primeiro semestre crescem com significado e o EBITDA recorrente cresce 14% e continua a boa performance e temos conseguido ter nos CTT".

Os rendimentos na área de serviços financeiros atingiram os 41,9 milhões de euros, um crescimento de 18,2%, fruto da venda de Certificados de Aforro e Títulos do Tesouro, que disparou no primeiro trimestre e tem impacto nos valores do semestre. Os serviços financeiros representaram 11% do total dos rendimentos dos CTT - o correio ainda representa 72% das receitas e gerou rendimentos de 278,6 milhões de euros - e 32% do EBITDA (‘cash flow' operacional). OEBITDA dos CTT no semestre atingiu os 70,4 milhões de euros, uma melhoria de 2,4%. Já a área de Expresso e Encomendas registou rendimentos de 63,8 milhões de euros, uma subida de 1,8%, representando 17% das receitas totais dos Correios.

Os CTT também já encaixaram a primeira ‘tranche' de 15 milhões de euros da parceria assinada com a Altice, o novo dono da PTPortugal, para sinergias entre as duas empresas aproveitando a rede dos CTT. A segunda ‘tranche' de 15 milhões será paga na assinatura, estando previsto para o segundo semestre a definição das parcerias específicas.

Os Correios revelam ainda que distribuíram nove milhões de euros em dividendos aos trabalhadores e órgãos sociais com base no mérito. O pagamento foi feito em Maio e cumpre a intenção de Francisco Lacerda de reintroduzir nos Correios a remuneração variável, o que já não acontecia há seis anos.

fonte:http://economico.sapo.pt/

 

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