BCE anuncia ronda de crédito barato e exclui governos e casas

Ainda não é desta que o tão esperado alívio monetário -- compra de ativos aos bancos para fazer aumentar o volume de dinheiro a circular na economia ou quantitative easing -- vai para a frente.

Hoje, em Frankfurt, Mario Draghi, o presidente do BCE, anunciouantes uma nova ronda de empréstimos de longo prazo (dinheiro muito barato) direcionada aos bancos que pretendam ter fundos para vender em forma de crédito à economia real privada. Às empresas, basicamente. A dívida pública (Tesouros nacionais) e as hipotecas ficam fora do novo esquema.

E como? As verbas que os bancos emprestam aos Estados soberanos (governos) e aos sectores "bolha", como o mercado imobiliário, abatem aos critérios do novo financiamento do BCE, diminuem o dinheiro que pode vir a ser libertado através das novas operações de refinanciamento de longo prazo direcionadas (TLTRO, na sigla em inglês), explicou Draghi.

De acordo com o presidente do BCE, a instituição vai emprestar um "total combinado de 400 mil milhões de euros" que terão de ser devolvidos (atingem a maturidade) em setembro de 2018 (isto é, dentro de quatro anos).

Os bancos poderão pedir empréstimos já este ano: haverá dois leilões, um em setembro, outro em dezembro, e entre março de 2015 e junho de 2016 podem concorrer a empréstimos trimestrais no âmbito do mesmo programa.

Ao todo, o BCE tem para vender aos bancos a um custo irrisório o equivalente a 7% do total dos "seus empréstimos ao sector privado não financeiro da zona euro", "excluindo os empréstimos às famílias para compra de casa".

Desta forma, faz com que a dívida dos Estados aos bancos e as hipotecas não contem para o efeito. Os bancos que tiverem demasiado expostos a estes dois sectores são, portanto, fortemente afastados desta torneira, tendo assim incentivos a reestruturar a sua carteira de empréstimos, assim espera o BCE.

Em todo o caso, todo este dinheiro não ficará no sistema porque será esterilizado à medida que os bancos forem amortizando a dívida em causa. Se fosse uma operação de "quantitative easing", o dinheiro ficaria a circular.

O presidente do BCE prometeu hoje em Frankfurt que "não acabamos por aqui". Mas também acrescentou que "não vemos deflação" na zona euro.

"O custo dos TLTRO é muito baixo, a maturidade é de quatro anos e há a garantia de que o dinheiro não será gasto nos soberanos e em sectores que estão numa situação de bolha", referiu Draghi na conferência de imprensa.

A instituição de Frankfurt diz que a dívida será comprada à taxa de juro de referência em vigor (emprestará a 0,15%, se a taxa se mantiver no nível hoje anunciado) à qual acrescerá um spread de 0,1%. Cada TLTRO terá dois anos de maturidade.

A partir dessa altura, os bancos têm de amortizar o empréstimo contraído junto do BCE. "As contrapartes [bancos] que não cumprirem certas condições relativas ao volume dos empréstimos líquidos à economia real terão de pagar de volta os empréstimos [contraídos junto do BCE] em Setembro de 2016."

Os empréstimos líquidos dos bancos são os novos empréstimos que concederem subtraídos das amortizações entretanto realizadas pelos seus clientes.

Quanto aos instrumentos convencionais de política monetária, o italiano prometeu que "as taxas de juro vão subir quando a retoma regressar". Hoje, o BCE baixou a taxa de referência de 0,25% para 0,15%, novo mínimo de sempre. Será este o custo semanal sempre que os bancos se dirigirem ao BCE para pedir dinheiro emprestado nas maturidades de curto prazo.

E mais duas fontes de euros baratos: SMP e ABS

Além dos novos TLRO, o BCE avançou hoje com duas medidas especiais importantes: Draghi disse que estão "intensificar os trabalhos preparatórios" para lançar um programa de compra de dívida titularizada (empréstimos a empresas e a famílias), os chamados ABS ou Asset Backed Securities.

Além disso, a autoridade monetária anunciou que vai terminar a esterilização semanal (absorção de dinheiro emprestado) ao abrigo do Securities Markets Programme ou SMP.

Este foi o programa lançado em outubro de 2010, usado até fevereiro de 2012 e descontinuado em setembro desse ano que serviu para ajudar os governos a venderem dívida pública aos bancos.

BCE reduz crescimento da zona euro para 1% este ano

A economia da zona euro deverá crescer este ano menos do que o previsto em março: em vez de 1,2% a expansão chegará só a 1%, indicou também Mario Draghi.

Já em relação ao próximo ano, o cenário está um pouco melhor: em vez de 1,5%, os economistas do BCE esperam 1,7% de expansão em 2015.

 

fonte:http://www.dinheirovivo.pt/e

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